Candidatos 'esquecem' interior no debate final
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Catarina Scortecci<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O último debate na TV entre candidatos ao governo do Estado se concentrou em temas ligados a Curitiba, embora a maior parte do eleitorado do Estado esteja fora da capital e região. Os quatro principais candidatos ao posto, Beto Richa (PSDB), Osmar Dias (PDT), Paulo Salamuni (PV) e Luiz Felipe Bergmann (PSOL), também soltaram farpas entre eles ao longo de todo o debate, transmitido pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC) na noite de terça-feira.
Ligado a movimentos sociais em Curitiba e região, Bergmann levantou os problemas da capital em torno do lixo, do transporte coletivo e da moradia. Salamuni, que é ex-vereador de Curitiba, também questionou o título de ''cidade ecológica''. Já Beto acredita que a sua administração em Curitiba o credencia para a disputa estadual: ''Quero fazer uma defesa da capital de todos os paranaenses. Porque do que eu vi alguns candidatos dizendo aqui, parece que a cidade é uma tragédia'', disse.
Na tentativa de atacar Beto, Osmar concentrou críticas sobre a administração curitibana. O pedetista falou de falta de vagas em creches e dos recursos perdidos do Projovem. ''O meu secretário, o Jorge Bernardi, que foi indicado pelo PDT, cochilou, e aí perdemos a verba'', devolveu Beto. Osmar respondeu mais tarde, em defesa do seu correligionário, comparando o comentário do tucano ao de um técnico de futebol: ''Eu conheço um técnico de futebol, o Vanderlei Luxemburgo que, quando o time dele ganha, ele fala 'eu mexi, o time ganhou'. Quando o time perde, foi o time que perdeu. Tem candidato que é igual a ele''.
A aproximação de Osmar com o presidente Lula (PT) também foi alvo do tucano. ''Se apegar ao presidente da República é muito fácil. O paranaense quer saber das ideias próprias de cada candidato'', disse Beto. A declaração foi dada depois que Osmar mencionou um telefonema que teria recebido do petista: ''Quero agradecer o presidente Lula, que me ligou agora há pouco, antes do debate, para me desejar boa sorte''.
Osmar ainda voltou a questionar a saída de Beto da prefeitura de Curitiba para disputar o Executivo estadual, um ano e três meses depois do pleito municipal. ''Se ele tivesse vencido as eleições de 2006, ele renunciaria quatro anos de mandato no Senado'', devolveu Beto. Beto também se defendeu alegando que sua saída da Prefeitura de Curitiba teria recebido o aval de 80% dos seus eleitores.


