A nova iniciativa dos brasiguaios acontece num momento político difícil no Paraguai, ainda ressentido dos resquícios da ditadura militar do general Alfredo Stroessner, deposto em 1989. Outra dificuldade na disputa por votos será amenizar a imagem de ''invasores'' do território nacional junto aos eleitores paraguaios. Essa barreira já resultou no retorno de pelo sete mil brasiguaios ao Brasil, que foram pressionados a deixar suas terras.

Esses conflitos podem ser avaliados como um dos fatores que influenciaram nas candidaturas, como afirma o brasileiro Lidio José Ferrandin. Ele é candidato a vereador do município Mbaracayú, na chapa do brasileiro postulante a prefeito José Giacomelli. ''Ganhar a prefeitura e garantir espaço na Câmara é nossa esperança. Do contrário, continuaremos sofrendo perseguição'', salienta.

O maior objetivo, entretanto, afirmam os migrantes, é trabalhar pelo desenvolvimento socioeconômico das cidades que os abrigaram, em especial, nos setores básicos, com saúde e educação.

As urnas eletrônicas do Brasil serão utilizadas por eleitores de sete municípios do Paraguai. Se aprovado, o sistema de informatização será usado em todo o Paraguai nas próximas eleições. A modificação feita para adaptá-las a outra realidade política foi pequena: os números do teclado foram trocados por cores, que é a forma de identificação dos partidos políticos.

O Paraguai foi o primeiro país autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral a utilizar seu programa de votação eletrônica. (A.P.)

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