Se a minirreforma eleitoral conseguiu coibir o excesso de poluição visual durante a campanha deste ano, o mesmo não ocorreu com a tradicional sujeira deixada pelas ruas no dia da votação. Várias vias públicas de Londrina amanheceram ontem forradas com santinhos de candidatos, causando indignação em moradores.
''É uma avacalhação total. Imagine quanto dinheiro foi gasto para fazer essa sujeira inútil'', revoltou-se o universitário Franco Gimenez Menecucci, 19 anos, morador do Jardim Presidente (Zona Oeste). Como sua residência é vizinha à Escola Dario Veloso, na 191 Zona Eleitoral, grande parte dos santinhos destinados a atrair eleitores indecisos foi parar em sua calçada e até dentro do quintal.
Menecucci não testemunhou o despejo do material, mas disse acreditar que foi realizado pela manhã. A maioria das centenas de santinhos trazia a foto e o número do candidato a deputado federal Alex Canziani (PTB). O morador disse que iria denunciar o fato à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. ''Alguém tinha que fiscalizar esse absurdo. Não é um bom meio de fazer campanha, o que dá voto é trabalhar por nós'', observou. Nas proximidades da Escola Dario Veloso também houve despejo de grande quantidade de santinhos do deputado estadual eleito, Antônio Belinati (PP).
Outra reclamação indignada contra a sujeita provocada por candidatos partiu de um eleitor aposentado que mora na rua Cristiano Machado, próximo ao Colégio Marista. O quintal da casa do eleitor - que pediu para não ter a identidade revelada, ficou forrado de panfletos de candidatos do PMDB que foram arrastados da rua pelo vento. De acordo com ele, sua primeira reação também é ''negar o voto nos candidatos que desrespeitam a lei e emporcalham as ruas''.
Apesar das reclamações, a Justiça Eleitoral considerou normal a quantidade de lixo produzida pelos candidatos e não instaurou qualquer procedimento investigatório até o início da noite. O juiz coordenador das eleições 2006 em Londrina, Mário Nini Azzolini, disse à Folha que a distribuição de panfletos nas ruas ''não foi grande não''. ''Pelo que eu vi, se concentrou nos locais de votação. Seria até absurdo esperar 100% de respeito.''
Questionado se identificou os candidados mais desrespeitosos com a lei eleitoral, o juiz respondeu negativamente. ''Eu uso óculos, não vi. Vou me abster de falar em nomes.'' Segundo Azzolini, a Justiça Eleitoral só vai investigar o caso se houver reclamação formal.
A coordenação da campanha de Roberto Requião, candidato que liderou o despejo irregular de propaganda em Londrina, alegou que a atitude não foi autorizada pelo comitê. ''Isso aí não partiu da gente. Quem jogou não tinha nossa autorização'', afirmou o coordenador local da campanha, Mário Martins.
A reportagem tentou contato por telefone com Canziani, mas não conseguiu falar com ele até o fechamento da edição.

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