As dezenas de candidatos presentes no início da noite de ontem no Fórum Eleitoral de Londrina relembraram uma cena comum de campanha: a dos eleitores que deixam para transferir ou regularizar o título perante a Justiça Eleitoral de última hora. Dessa vez, porém, a regularização é referente às prestações de contas de campanha, cobrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos eleitos e não eleitos e que tem até oito dias antes da diplomação para ser julgada pelo juízo de primeira instância. Pelo menos mais da metade dos concorrentes de primeiro turno, para os quais o prazo venceu ontem – os de segundo turno têm até o próximo dia 25 –, usaram a data-limite para apresentar a documentação.
  Às 19 horas, horário em que se encerraria o recebimento, por exemplo, cerca de 180 senhas haviam sido distribuídas pelos funcionários da 41ª Zona Eleitoral. Até a véspera, o cartório estimava que aproximadamente 150 prestações haviam sido entregues, das 407 de postulantes à Câmara, e dos sete que disputaram o Executivo em primeiro turno.
  Além de candidatos, os comitês financeiros também são obrigados a prestar contas à Justiça Eleitoral, a qual tem até oito dias antes da diplomação – em Londrina, marcada para 17 de dezembro – para o julgamento. Conforme a resolução 22.715/2008 do TSE, a não prestação de contas impede que o candidato obtenha a certidão de quitação eleitoral durante o curso do mandato ao qual concorreu.
  A FOLHA conversou no Fórum Eleitoral com dois candidatos em situação aparentemente oposta: Rony Alves (PTB), eleito com 2.311 votos – é um dos 13 novatos que integrarão o plenário em 2009 – e despesa declarada de R$ 5.990,76 (receita no mesmo valor) e Lourival Germano (PT), que, com 1.714 votos, ficou por 13 eleitores de conseguir a reeleição. Despesa declarada do petista: R$ 19.500,45 (receita de R$ 20.323,68).
  O petebista deu a explicação para a prestação de última hora: ‘‘Queria deixar tudo ‘redondo’, mas, no fim, nem eu sei por que me atrasei’’. Sobre os valores, Alves afirmou que a maior parte foi gasta com combustível e programas de rádio e TV.
  Germano, por sua vez, delegou à ‘‘burocracia do partido, que prestou contas de vários candidatos, e do próprio sistema eleitoral’’ a demora na entrega. A respeito da despesa consumida, o petista declarou R$ 9 mil de recursos próprios – mais que o dobro de a prestação inteira, e individual, de pelo menos três novatos. ‘‘É impossível fazer uma campanha de vereador hoje, em Londrina, com menos de R$ 10 mil – só de combustível, em três meses, se gasta uma fábula’’, comentou. Alves rebateu: ‘‘A minha campanha prova que se gasta, sim, menos que isso. Se você tiver uma base definida, como eu tinha, é saber trabalhar isso no momento da eleição’’.

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