O debate promovido ontem pela Associação das Entidades Filantrópicas de Londrina (Afel) com os candidatos a prefeito Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB), na Vila Cultural (região central), teve eleito como tema central na discussão o déficit de vagas em Centros de Educação Infantil (CEIs) na cidade. Segundo os dados da própria administração, pelo menos 3,5 mil crianças hoje estão na fila por uma vaga - ao todo, são 11 CEIs municipais e 68 filantrópicas.
Apesar de a Afel agremiar também organizações não-governamentais (ONGs) ligadas a outros setores, que não apenas a educação, as melhorias de infraestrutura aos CEIs, a qualidade da merenda servida neles e a possibilidade de projetos por meio dos quais empresas privadas possam ''adotar'' um desses centros, em troca de descontos no Imposto de Renda (IR), deram a tônica do debate, que aconteceu separadamente - cada candidato debateu com as entidades, sem confronto direto entre eles.
As propostas da Afel foram apresentradas em um termo de compromisso assinado pelos dois candidatos, apresentado pela presidente da Afel, a socióloga Maria Inez Gomes - candidata a vice-prefeita, no pleito de 2004, na chapa de Alex Canziani (PTB). Além da melhoria na infraestrutura das filantrópicas como mecanismo de diminuição da demanda, e com ação direta, para tal, da Secretaria Municipal de Obras, o documento ainda pediu que os prefeituráveis ofertem estrutura para apoio sócio-educativo a crianças de 6 a 14 anos de modo que elas passem meio período no centro, e meio período na escola. Outro pleito foi que o Executivo, no caso dos CEIs, repasse um percapita de pelo mneos 50% do valor mínimo do percapita dos CEIs municipais, o que daria em torno de R$ 150.
O candidato do PDT aceitou as propostas e sinalizou: ''Quando escolhermos nosso secretariado, a primeira coisa que será feita é chamar alguém do meio de vocês para ampliar esse trabalho com as ONGs e aumentar de 25% pra 30% o destinado do orçamento à educação'', garantiu Barbosa, para quem o Executivo ''depende muito das filantrópicas''. ''Queremos ampliar essa parceria, com a Prefeitura na supervisão, mas não é o Município que dita as regras - tanto que o Orçamento criança não avançou'', disse.
Já o tucano, para quem esses convênios ''suprem necessidades não preenchidas pelo Estado'', assinou o termo de compromisso, não sem antes definir que, uma vez eleito, fará reuniões semanais ou mensais com as entidades e secretários municipais ''para que não haja empurra-empurra; queremos ser 100% parceiros nisso''. Hauly exaltou a experiência no âmbito municipal (como prefeito de Cambé), estadual (secretário estadual de Fazenda) e federal (está no quinto mandato de deputado federal) para convencer os presentes ao debate. ''Não estou prometendo da boca para fora; tenho vivência, sou administrador, consigo congregar, pacificar as pessoas. Uma empresa como essa da merenda que está aí hoje, por exemplo, não fica nem cinco minutos comigo'', declarou, para em seguida defender a municipalização do serviço.
Para a presidente da Afel, três meses é o tempo suficiente para que o prefeito eleito comece a cumprir pontos acordados ontem no termo de compromisso assinado.

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