Apesar de ter sido apontado ontem pela pesquisa Folha como o vencedor da eleição em Curitiba já no primeiro turno, o candidato Cassio Taniguchi (PFL) preferiu ser cauteloso ao analisar o próprio desempenho – a média aritmética obtida por ele é de 44,45%, considerado o cruzamento entre os índices revelados na manifestação espontânea dos entrevistados (43,9%) e estimulada (45%). ‘‘O resultado representa o momento atual da campanha, que mal começou. Ainda temos que aguardar uma semana, no máximo duas, para ter uma noção mais clara do quadro político da disputa poela prefeitura’’, afirmou.
A Pesquisa Folha sobre a intenção de votos em Curitiba foi realizada com 807 eleitores na semana passada, entre os dias 15 e 18. O levantamento da capital considerou uma amostragem de bairros situados em todas as regiões de Curitiba. A margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos. Considerando o número da pesquisa estimulada – onde o entrevistador apresenta a relação dos candidatos – Taniguchi aparece com 45% do total dos votos válidos contra 22,8% obtidos na soma da intenção de votos dos outros seis candidatos. A pesquisa Folha revelou que Taniguchi tem atualmente mais da metade da intenção de voto de todos os outros candidatos. O percentual de indecisos – 24% dos entrevistados, segundo o levantamento espontâneo – e de pessoas que pretendem anular o voto (11,6%) não são computados neste caso.
‘‘Achei bastante alta a intenção espontânea de votos para mim, já que na maioria das pesquisas, as indicações do voto estimulado e espontâneo ficam próximas. Mas não é por isso que vou desistir de fazer minha campanha porta a porta pelos bairros da cidade’’, afirmou Taniguchi. O atual prefeito de Curitiba obteve o segundo maior índice de rejeição entre os candidatos, com 15,7% das indicações.
Estatisticamente, a consulta da Folha revelou que os índices de eleitores indecisos – 24% na pesquisa espontânea ou que declararam o voto nulo, 11,6% – superaram os demais candidatos. Primeiro candidato a surgir depois destes índices – com 8,3% na estimulada, 6,7% na espontânea e média de 7,5% – Maurício Requião (PMDB) afirmou que ‘‘não tinha nada a dizer’’ sobre o resultado da pesquisa da Folha. ‘‘Não estou tomando conhecimento de pesquisas. A imprensa deveria ter o cuidado de submeter as pesquisas para análises de estatísticos, profissionais do ramo’’, limitou-se a comentar. Maurício apresentou o maior índice de rejeição entre os candidatos a prefeito de Curitiba, com 21,2% das declarações espontâneas dos entrevistados.
Terceiro colocado no levantamento, com 8,2% na pesquisa estimulada, 6,4% na espontânea e média de 7,30%, o candidato Ângelo Vanhoni (PT), disse que o resultado ‘‘reflete uma condição de crescimento’’ não só dele, mas de todos os candidatos de oposição. ‘‘Pela impressão que se tem nas ruas e com os números apontados pelas pesquisas que estão sendo divulgadas nos últimos dias, vamos ter segundo turno em Curitiba’’, afirmou.
Vanhoni disse que o resultado da pesquisa Folha foi ‘‘bom’’, apesar de ter sido realizado durante a primeira semana do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Na opinião dele, os candidatos de oposição devem surgir com índices maiores nas próximas pesquisas devido ao maior conhecimento do eleitorado. ‘‘Se esses 24% de eleitores indecisos revelados pela pesquisa da Folha perceberem que a administração do Cassio Taniguchi não pode continuar cometendo os mesmos erros, vamos ter segundo turno, sim.’’
Em quarto lugar na pesquisa de rejeição dos candidatos, com 6,7%, Vanhoni avalia que este resultado também é uma demonstração de que ‘‘há espaço’’ para a candidatura dele crescer. ‘‘Os dados das pesquisas são sempre levados em conta para orientar nossa campanha, que prima pela transparência e que vai discutir propostas para a cidade. O segundo turno é uma outra eleição e não dá para, agora, fazermos uma projeção do que poderá acontecer,’’ avaliou.
O candidato do PDT, Eduardo Requião – quarto colocado na pesquisa Folha com 3,5% na estimulada, 2,7% na espontânea e média de 3,10% –, reforçou a opinião do adversário. ‘‘Ainda não se decidiu nada. Somando-se ao número de indecisos os que vão votar em branco ou anular o voto, temos mais de 37% de intenções de voto que virão para a oposição. Eu acho que um candidato à reeleição, com uma campanha há quatro anos no ar, não está tão bem como tenta demonstrar’’, avaliou.
Eduardo considerou que os candidatos que o superaram na pesquisa Folha só conseguiram isso porque ‘‘já têm nomes conhecidos’’. ‘‘Os números de pesquisas não podem ser levados em consideração porque oscilam muito. Mas a tendência é a de que tenhamos segundo turno porque temos candidatos novos na disputa. Vou levar essa eleição’’, apostou. O candidato do PDT foi irônico ao analisar seu índice de rejeição apontado pela pesquisa divulgada ontem – 9,7%. ‘‘Isso é fantástico. Como posso ter essa porcentagem maior do que a declaração de votos favoráveis a mim. Se não sou conhecido, como posso ser rejeitado? Essa rejeição não pertence a mim.’’

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