Getulismo, anarquismo, bomba atômica. O horário eleitoral gratuito para os candidatos à Presidência levou para o rádio e para a televisão temas absolutamente inusitados. Até mesmo o ex-presidente Fernando Collor conseguiu fazer uma aparição relâmpago como candidato presidencial, apesar de estar inabilitado para exercer qualquer função pública até o ano 2000.
Não faltaram cenas surreais. Com o mesmo estilo agitado, Enéas Carneiro (Prona) iniciou sua terceira campanha presidencial defendendo a fabricação da bomba atômica pelo Brasil. ‘‘Não é para jogar nos outros, mas para evitar que joguem em nós’’, garantiu Enéas, lançando ainda uma espécie de ‘‘disque-bomba’’, um número de telefone no sistema 0900. Nele, por R$ 4,90 por minuto, o candidato fala durante 2 minutos e 14 segundos o candidato sobre sua proposta de bomba atômica.
O candidato João de Deus, do PT do B, apelou para o passado para sensibilizar os eleitores. Enquanto faz seus discursos, ao fundo vê-se uma foto do ex-presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicídio em 1954. João de Deus avisa que está defendendo ‘‘os ideais da gloriosa revolução de 1930.’’ Mas aproveita seu curto tempo para bater no próprio partido. Segundo afirma, só tornou-se candidato ‘‘porque um grupo do partido quis fazer uma negociata com o corrupto Collor de Melo.’’
O PSTU partiu para o ataque frontal ao presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que ‘‘ele chamou os aposentados de vagabundos’’ e também é ‘‘mentiroso’’. A estratégia do partido é justamente radicalizar o discurso de oposição contra o governo federal e marcar sua posição nacional como opção de esquerda. ‘‘Se os outros partidos não querem bater no governo, não precisam se preocupar porque nós vamos bater’’, avisa o deputado federal Lindberg Farias (RJ), único parlamentar do PSTU no Congresso Nacional. (M. M.)

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