Durante os próximos 45 dias, os brasileiros vão ter em suas casas a companhia de centenas de candidatos a vereador e a prefeito. A partir de hoje, duas vezes por dia, eles vão apresentar seus programas no rádio e na televisão. Aos programas dos candidatos a vereador a Justiça Eleitoral reservou as terças, quintas e sábados, portanto, a estréia hoje será com quem disputa uma vaga na Câmara Municipal. Os candidatos a prefeito terão seus programas veiculados nas segundas, quartas e sextas-feiras. Durante o primeiro turno, não há propaganda eleitoral aos domingos.
Para os candidatos e dirigentes partidários, esta data marca, de fato, o início da campanha eleitoral. Alegam que, com a exposição diária, o eleitor passa a conhecer as propostas dos candidatos e decidir o voto. ''A propaganda na televisão, principalmente, é o marco inicial; coloca as eleições na agenda das pessoas'', afirma o presidente do diretório municipal do PT, Sidnei Santos Silva.
Mas para o sociólogo e cientista político Mário Sérgio Lepre, a propaganda política interessa mais aos jornalistas, formadores de opinião e políticos que à maioria dos votantes e, por isso, não tão decisiva quanto os candidatos julgam. ''A propaganda eleitoral é apenas um dos fatores que influencia no voto'', pondera. ''Para o eleitor, acaba sendo desgastante, já que não lhe resta outra programação para assistir no caso da televisão.''
Na avaliação de Lepre, o desinteresse dos eleitores também se dá em razão do conteúdo dos programas, principalmente das candidaturas proporcionais. O tempo de cada partido é dividido entre todos os candidatos da coligação, o que acaba dando um tempo curtíssimo para cada um. Se um partido tiver, por exemplo, seis minutos de tempo total e 30 candidatos a vereador, cada um terá 12 segundos para dar seu recado. ''Então fica aquele show. Alguns fazem piadinha com seu nome, alguma palhaçada, ou se vestem de maneira caricata. Mas no fundo dizem apenas: 'Meu nome é tal e meu número é tal'. Não há nenhuma informação útil para o eleitor.''
Nisto o presidente do PT concorda. ''Para o candidato a vereador o horário eleitoral não ajuda muito. Vão aparecer uns sete segundos, a cada dois, três dias'', diz Silva.
Para tornar a propaganda das eleições proporcionais mais informativa e útil, o professor acredita que os programas deveriam ser apresentados pelos partidos, como uma proposta para todos os candidatos. ''Isso não acontece porque a eleição acaba sendo personalíssima'', aponta.
Para distribuir o tempo entre os candidatos e coligações, a Justiça Eleitoral divide inicialmente um terço do tempo total -10 minutos - entre todos os candidatos a prefeito e coligações proporcionais. O restante do tempo foi definido pelo número de deputados federais eleitos em 2006.
SERVIÇO: Nas rádios, a transmissão será entre 7h e 7h30 da manhã e entre 12h e 12h30. Na televisão, a propaganda será entre 13h e 13h30 e entre 20h30 e 21h. Todos os programas na televisão devem ter um tradutor da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) ou legenda.

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