A estréia dos candidatos a prefeito de Londrina e Curitiba ontem, no programa eleitoral gratuito de televisão, foi morna. Em Londrina, nenhum dos ‘‘prefeituráveis’’ apresentou atrativos que deixassem o eleitorado empolgado. Em Curitiba, os candidatos evitaram declarações agressivas, troca de acusações ou propostas inovadoras para administrar a cidade.
Luiz Eduardo Cheida (PMDB) foi o primeiro a aparecer em Londrina. Ele explorou sua boa imagem no vídeo – dispensou apresentadores e comandou o programa, falando de propostas e de sonhos. ‘‘Vou tornar este sonho realidade’’, destacou. O tema também foi explorado por Luiz Carlos Hauly (PSDB). ‘‘Parece um sonho, mas é possível’’, disse, referindo-se às suas propostas de governo.
O bloco dedicado a Homero Barbosa Neto (PDT) começou com cenas de comício, passou por um sambista apresentando a música da campanha (‘‘Alô meu povo, olha o Barbosa Neto aí gente’’) e terminou com uma homenagem aos pioneiros de Londrina. Fazendo o estilo populista, o candidato foi enfático: ‘‘Quem tem menos é quem precisa de governo.’’
Nedson Micheleti (PT) apresentou a sua ‘‘campanha do bem’’. Ele foi o único a tocar, mesmo que sutilmente, na corrupção na administração municipal. ‘‘A cidade que não pára apesar do que fizeram com ela’’ e ‘‘os últimos acontecimentos abalaram o ânimo’’ foram algumas das frases que usou.
Farage Kouri (PFL) mostrou no programa que pretende vender ao eleitorado o perfil de candidato sem passado político. ‘‘Assisti a políticos desfilando propostas e, assim como a maioria de vocês, errei em acreditar em promessas não cumpridas’’, contou, afirmando que saiu candidato para trabalhar por Londrina.
Em Curitiba, ficou evidente que os candidatos, pelo menos nas primeiras semanas, vão manter o discurso ‘light’. Um exemplo é o programa apresentado por Luiz Forte Neto (PSDB). ‘‘Sou candidato de oposição, mas não vou participar desse triste espetáculo de ódio e mesquinharia durante a disputa pela prefeitura.’’
Até mesmo Maurício Requião (PMDB), de quem se esperava uma postura mais agressiva, surgiu na televisão serenamente. Mas não deixou de alfinetar a atual administração. Foi reproduzida uma matéria sobre um casal que mudou-se de São Paulo para Curitiba e que reclama da violência da capital paranaense. Maurício comparou a administração de uma casa com a de uma prefeitura e criticou a forma como a atual administração municipal trata da segurança pública.
Os demais candidatos, com exceção de Jamil Nakad (PRTB) e Diego Sturdze (PSTU), apresentaram programas bastante parecidos com os que o eleitor se acostumou a ver nas últimas campanhas. A propaganda de Cassio Taniguchi (PFL) concentrou suas imagens e narrações na ‘‘transformação da cidade em canteiro de obras’’. Ângelo Vanhoni (PT) preferiu mostrar o tema de sua campanha – ‘‘Povo quer ser gente’’ – em um clip. Eduardo Requião (PDT) prometeu o romper o ‘‘engessamento da campanha’’ que, segundo ele, é praticado pelos seus adversários.
A campanha do PSTU, pelo menos ontem, foi a que usou de maior criatividade para ocupar o tempo a que tem direito na televisão – 1min25s. Imitando o radialista Raul Gil, o narrador do programa criticou as ‘‘relações perigosíssimas’’ entre FHC, o prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati (PFL), o deputado federal Rafael Greca (PFL), Taniguchi e o governador Jaime Lerner (PFL).

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