Curitiba - O senador Osmar Dias (PDT), candidato ao governo pela coligação Paraná da Verdade, reuniu a imprensa ontem para denunciar que um repórter da revista ''IstoÉ'' teria invadido sua fazenda no Estado de Tocantins, no sábado e segunda-feira passada. O candidato, porém, disse que não tomou providências legais sobre a suposta invasão e afirmou que panfletos e e-mails apócrifos estão sendo distribuídos com ''inverdades'' relacionadas à fazenda. O senador disse que tomou providências somente em relação ao e-mail. Um boletim de ocorrência teria sido registrado na Polícia Federal.
O redator-chefe da ''IstoÉ'', Mário Simas Filho, confirmou à Folha que a revista está preparando uma matéria de investigação sobre o candidato, mas que o repórter entrou na fazenda ''com autorização do gerente'' do local. ''É mentira, repórter da 'IstoÉ' não invade nada'', disse. Simas informou que não pode adiantar o assunto da investigação, mas garantiu que o senador será procurado pela revista ''no momento oportuno''. Ele também disse que outros candidatos ao governo do Paraná são alvos de reportagens da revista, assim como concorrentes de outros Estados. Simas conta que a matéria investigativa estaria sendo produzida há dez dias e que a previsão era soltá-la nesta semana. ''Mas não conseguimos concluir'', informou.
O senador disse que não pretende acusar a revista de estar preparando uma matéria de forma desonesta, mas reforçou que ''os indícios de que é uma armação são fortes''. Questionado sobre quem seriam os autores da ''denúncia'' à revista e também dos panfletos e e-mails apócrifos, o candidato disse que prefere não acusar ninguém.
Durante a entrevista, Osmar Dias citou episódios de campanhas passadas que envolviam o governador Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição. O senador disse que ''estão tentando criar um novo Ferreirinha'', numa referência ao caso que marcou a campanha eleitoral de Requião em 1990. A assessoria do governador disse que não iria comentar o assunto, porque o nome do peemedebista não teria sido de fato citado pelo senador.
Durante a coletiva, um vídeo foi exibido com depoimentos de funcionários da fazenda e do chefe do Instituto Natureza do Tocantins, órgão de fiscalização e licenciamento ambiental. O senador explicou que a intenção era mostrar que não existem crimes ambientais nem trabalhistas, e que ''não há o que investigar''.
O candidato informou que a fazenda custou R$ 2,5 milhões e foi adquirida com a venda de três safras de soja, dois apartamentos, uma fazenda em Cerro Azul e um empréstimo de R$ 140 mil oferecido pelo seu pai, falecido há cerca de um mês. Cerca de 20% da área da fazenda é ocupada por pastagem (650 cabeças de gado).

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