Candidato não acredita em punição
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Os candidatos do PMDB ao governo do Estado, Roberto Requião, e ao Senado, Paulo Pimentel, procuraram minimizar ontem os efeitos do pedido de cassação solicitado pelo procurador eleitoral João Gualberto Garcez Ramos. Requião e Pimentel são acusados de cometerem abuso de poder econômico e utilização indevida de meios de comunicação e serão julgados no dia 18 deste mês pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ambos descartam a possibilidade de cassação das candidaturas, mas Requião atribuiu a ação a uma manobra para retirá-lo da disputa.
Entende-se por autor da manobra, segundo Requião, o seu adversário direto na disputa pelo Palácio Iguaçu, o também senador Álvaro Dias (PDT). Isso apesar de a denúncia ter partido do candidato ao Senado pelo PTC, Rogério Miranda de Mello. ''O PTC é o apelido do Alvaro Dias, que foge do debate e fica tentando manobras jurídicas'', disparou Requião.
O senador Alvaro Dias nega que esteja por trás de qualquer articulação para tirar Requião da corrida ao Palácio Iguaçu. ''Acho que o Requião vai ganhar o prêmio de pinóquio 2002. Esse tipo de afirmação (de Requião) não passa de desespero dele e não tenho que ficar respondendo a isso'', disse Alvaro.
Mello, que ainda na segunda-feira negou que estivesse operando instigado pela coligação de Alvaro, disse que Pimentel estaria utilizando os jornais e a emissora de sua propriedade para privilegiar a sua candidatura e a de Requião. Ele reclama que teria sido agredido por Requião, que classificou seu partido de nanico e não teve o tratamento igualitário nos jornais e emissoras de Pimentel.
''Isso foi durante uma entrevista que dei ao programa do Ricardo Chab (deputado estadual pelo PMDB) antes da convenção do partido, mas não haverá nenhuma consequência. Eu já estou acostumado a isso, geralmente querem me tirar da disputa porque sabem que no voto fica difícil (ganhar)'', alfinetou Requião. O empresário Paulo Pimentel acredita que, mesmo que haja uma condenação, a pena não chegará a cassação do registro de suas candidaturas. No máximo, acrescentou, uma multa a ser aplicada pelo TRE. ''Não transgredimos a legislação eleitoral, mas vamos aguardar pelo julgamento'', ponderou.
Pimentel argumenta que todos os candidatos ao governo do Estado e ao Senado receberam igual tratamento, rechaçando a acusação de utilização indevida dos seus meios de comunicação em benefício próprio. Para o empresário a hipótese da cassação do registro lhe parece absurda. ''Isso acabaria com as eleições'', disse Pimentel.


