Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já traçou a meta para um eventual segundo mandato: quer dar uma cara mais social ao governo. A inflexão planejada por Lula, cuja candidatura à reeleição foi confirmada ontem na convenção nacional do PT, não significa o abandono do ajuste fiscal, mas a palavra de ordem de sua nova campanha será crescimento com inclusão. Inspirado em dois estilos populistas o do líder venezuelano Hugo Chávez e o do brasileiro Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) , o marketing do presidente reforça a imagem de ''pai dos pobres''. Com essa credencial, Lula entra na corrida pela reeleição disposto a sepultar a crise política no gogó.
Ele está convencido de que só sobreviveu às sucessivas intempéries porque conseguiu se comunicar bem com o povo. Munido desse argumento, orientou o comando petista a preparar uma plataforma que indique como prioridade a distribuição de renda, e não o superávit primário economia de gastos para pagar os juros da dívida pública. ''Só vale a pena concorrer para fazer as coisas acontecerem e deixar um legado'', disse Lula a vários interlocutores, muito antes de assumir oficialmente a candidatura à reeleição. Na prática, ele ainda persegue uma marca para seu governo.
''Com a estabilidade consolidada e a situação econômica do País confortável perante os credores, um segundo mandato deve deixar claro que o setor produtivo é a base da criação de empregos e do crescimento'', destaca o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro.
Ex-líder do governo no Senado, o economista Aloizio Mercadante (PT-SP) afirma que hoje a margem de manobra é bem maior, porque, na sua avaliação, o pior já passou. ''A dívida pública é o último grande obstáculo para o crescimento acelerado, mas o cenário é de continuidade da queda da taxa de juros, o que alivia a pressão sobre as finanças'', diz Mercadante, candidato ao governo de São Paulo.
O senador ressalva, no entanto, que o esforço fiscal terá de continuar, seja quem for o novo presidente. ''O pior caminho que o País pode trilhar é o do populismo fiscal, porque isso tem perna curta'', avalia.
Amigo de Lula, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) lembra que o presidente foi eleito para ir além da política econômica e já disse isso a ele. Com esse diagnóstico, insiste em que, num segundo mandato, será preciso construir ''portas de saída'' para o Bolsa-Família programa que elevou a popularidade de Lula nas classes D e E. ''Não podemos ficar eternamente nessa política do Bolsa-Família'', afirma Devanir. ''Temos de gerar empregos. Só vamos salvar a lavoura quando tivermos pleno emprego.''

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