O Partido dos Trabalhadores, que espera definir uma aliança de esquerda esta semana, em reunião no Recife, já tem pronto o discurso para enfrentar Fernando Henrique Cardoso nas urnas. ‘‘É preciso dar um choque de distribuição de renda neste País’’, afirma o presidente do PT, José Dirceu, que promete levar também para o palanque do virtual candidato das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva, a bandeira de uma profunda revisão do modelo privatista neoliberal e da abertura comercial sem proteção à empresa nacional.
‘‘Só há um candidato de oposição capaz de derrotar Fernando Henrique nas eleições do ano que vem: Lula’’, disse Dirceu. Ele está convicto de que as chances de Lula aumentarão ‘‘à medida em que Fernando Henrique e a coalisão conservadora que o apóia perdem legitimidade’’ e, com ela, o principal argumento eleitoral para 1998 - ou nós ou a crise -, ‘‘porque a crise já está a풒.
Dirceu assinala que Lula só aceitará participar da disputa eleitoral se capitanear uma aliança de partidos de esquerda, que inclua o PDT, o PSB e o PC do B. Reconhece que para viabilizar essa aliança, precisa antes superar obstáculos dentro do próprio PT, em particular no Rio de Janeiro e em Pernambuco.
O presidente do PT pilota um processo de articulação para atender às condicionalidades apresentadas por Lula. Segundo ele, a questão da aliança será discutida nos próximos dias, em Recife, em reunião com Lula, Miguel Arraes (PSB), Leonel Brizola (PDT), João Amazonas (PC do B) e o próprio Dirceu.
Se os entendimentos avançarem na direção desejada, o PT partirá para equacionar as pendências nos Estados. ‘‘Há uma divergência de fundo no Rio e Pernambuco que vai ser resolvida no voto, mas na maioria dos Estados a política de alianças está indo bem, como foi em 1994’’, diz Dirceu. Acrescenta: ‘‘Não fazer a aliança seria o suicídio para os quatro partidos.’’
Amarrada a aliança, os entendimentos evoluirão para a elaboração de um programa de governo. Para esse programa, o PT já conta com propostas concretas, que englobam mudanças da política cambial (inclusive com a desvalorização do real), reformas tributária e política (‘‘a ser decidida por plebiscito’’), além da revisão dos modelos de privatização e de abertura comercial.
A tática da campanha eleitoral do PT, de acordo com Dirceu, é a de ‘‘carimbar’’ o governo de Fernando Henrique. ‘‘Vamos mostrar que ele traiu todas as promessas de campanha e que seu governo só atendeu aos grandes, aos poderosos’’, diz. Por isso, Dirceu aposta que as eleições de 1998 serão uma espécie de ‘‘ajuste de contas com Fernando Henrique’’.

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