O empresário Antônio Wandscheer (PPS) candidato a prefeito em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, acusado de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação fiscal, disse ontem que as denúncias contra ele e o pedido de prisão preventiva solicitado pela Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública não passam de uma ‘‘armação política’’. ‘‘É uma situação mais política do que criminal. Todas as denúncias e o pedido de prisão só aconteceram por causa da minha candidatura’’, disse.
Irritado com o vazamento das denúncias para a imprensa, ele disse que não irá se defender publicamente. ‘‘Este processo é de 1992 e eu não consigo lembrar de todos os detalhes. Mas acredito na Justiça. A imprensa saberá da verdade pelo resultado do julgamento do pedido de prisão preventiva.’’ Wandscheer, que é imobiliarista em Curitiba, é acusado de ser mentor da venda de uma área de 121 mil metros quadrados, com preço superestimado, à Cohab-Curitiba. Sentindo-se prejudicado, o genro de um dos antigos proprietários fez a denúncia.
O empresário negou que tenha sonegado impostos com uma transação imobiliária feita na época, que vem sendo investigada e desaguou no pedido de prisão. ‘‘Não é verdade. O delegado tem na mão um comprovante de que todos os meus impostos foram pagos’’, declarou ele. ‘‘Quando existem fatos políticos, eles se tornam mais importantes do que a verdade. Eu estou tranquilo’’, disse Wandscheer, ao insinuar que as denúncias, segundo ele ‘‘politiqueiras’’, teriam o envolvimento do atual prefeito de Fazenda Rio Grande, Celso Luis Soares Rocha (PSB) e do delegado Vinícius Martins.
A tese do empresário foi reforçada pelo diretório municipal do PPS. Segundo José Carlos Szadkoski, presidente do partido em Fazenda Rio Grande, tudo estaria sendo orquestrado pelo próprio prefeito. ‘‘Até as eleições não havia nada contra o nosso candidato. Isto tudo não passa de briga política’’, argumentou. O delegado Vinícius Martins disse que recebeu o inquérito há 40 dias, apesar de estar sendo investigado desde 1992. Ele disse não saber que o empresário era candidato.
Anteontem, o deputado estadual Geraldo Cartário (PSL), candidato a vice-prefeito na chapa de Wandscheer, disse que o pedido de prisão é ‘‘uma estratégia política para desestabilizar’’ a campanha. ‘‘Acho estranho o delegado pedir esta prisão preventiva, depois de oito anos, justamente após a convenção que definiu o Toninho como candidato.’’

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