O Ministério Público (MP) de Cascavel deve completar ainda esta semana a tomada de depoimentos na investigação sobre uma suposta ‘‘compra de apoio’’ de candidatos a vereador do PFL. Eles teriam recebido dinheiro para aderir à candidatura a prefeito do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB). O promotor Carlos Choinski estimou ontem que, além de depoimentos, espera juntar provas materiais para embasar um possível procedimento. O principal denunciante do caso é Rafael Paranhos, de 20 anos, candidato a vereador pelo próprio PFL.
Rafael é primo em segundo grau do vereador Leonaldo Paranhos (PMDB), candidato a vice-prefeito na chapa do deputado estadual Edgar Bueno (PDT). A Folha obteve ontem cópia de depoimento que ele prestou ao MP, no qual confirma as acusações que já vinha fazendo em entrevistas.
De acordo com o depoimento, a adesão dos pefelistas à candidatura de Tiago – contrária à decisão do partido de apoiar Bueno – teria sido concretizada com a oferta, para cada candidato, de 100 mil santinhos, 500 camisetas, 2 mil litros de gasolina, 10 cabos eleitorais com salários de R$ 150,00, gravação de programa de rádio e TV, além de R$ 10 mil para cada candidato no dia da eleição.
A negociação, segundo ele, teria sido fechada no dia 24 de julho, depois que os candidatos Oracildes Tavares (que é vereador) e Fernando Fontana convidaram os outros 20 concorrentes do PFL para uma reunião, com a presença do secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra.
Sciarra é de Cascavel e da executiva do PTB. Também participou João Luiz Félix, um dos maiores empresários locais da construção civil, do mesmo ramo de Sciarra. Segundo o depoimento, o secretário, que se apresentou ‘‘como representante do governo do Estado e em nome da Executiva Estadual do PFL’’, relatou que Oracildes havia lhe dito que os candidatos precisavam ‘‘de apoio para a campanha’’, e que isso seria possível se houvesse de parte deles ‘‘apoio total à candidatura de Tiago de Amorim Novaes’’.
Félix teria sido indicado por Sciarra para ‘‘cuidar dos detalhes’’ do apoio. Rafael acrescenta que nenhum dirigente local do PFL foi informado da reunião, e que, ao saber do esquema, o presidente do diretório, ex-prefeito Jacy Scanagatta, renunciou ao cargo e pediu desfiliação.
Dos 22 candidatos do PFL, 15 teriam comparecido ao encontro, entre eles o denunciante. Rafael contou ter recusado a oferta, deixou a reunião e tornou públicas as acusações. Ele teria recebido ameaças de morte pelo celular (gravada em sua caixa postal), com ligação feita de um prefixo repassado ao MP. O candidato disse ter ligado, mas quem atendeu disse desconhecer o assunto.
A intervenção de secretários de Lerner na eleição de Cascavel teria o objetivo de impedir que o PFL fosse para o palanque de um candidato que, na Assembléia Legislativa, liderou a oposição contra o governo do Estado. Além de Sciarra, o secretário da Fazenda Giovani Gionédis também teria comparecido a encontros.
Félix não tem se pronunciado sobre o assunto. O secretário da Indústria e Comércio nega a ‘‘compra de apoio’’ e diz que processará o autor da acusação.

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