Ariel Palacios
Agência Estado
De Buenos Aires
France PresseDuhalde, candidato à presidência da Argentina, está em segundo nas pesquisasCandidato de Menem chega a Brasília
Duhalde irá encontrar-se com o presidente Fernando Henrique e empresários
O candidato do governo à presidência da Argentina, Eduardo Duhalde, chegará hoje a Brasília para encontrar-se à tarde com o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso.
Duhalde, que também pretende reunir-se com ministros e empresários, tinha a esperança de desembarcar em Brasília com a crise comercial entre os dois países já concluída, para desta forma poder aproveitar os louros da pacificação.
O governo brasileiro decidiu receber os candidatos argentinos que solicitassem uma visita, mas não permitirá que Duhalde se apresente como o pacificador dos conflitos do Mercosul. O candidato volta terça-feira a Buenos Aires.
Duhalde, candidato do Partido Justicialista (também conhecido como ‘‘peronista’’), o partido do governo, é o segundo colocado nas pesquisas, com uma média de 32%, ou seja, 15 pontos percentuais abaixo do candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, Fernando De La Rúa.
Foi vice-presidente de 1989 a 1991, os dois primeiros anos do governo de Carlos Menem. Desde então, ocupa o cargo de governador da província de Buenos Aires, a principal do país, onde concentra-se 40% do eleitorado argentino.
Como todos os candidatos à presidência, Duhalde é a favor do Mercosul, mas possui uma posição mais nacionalista que seus adversários: há menos de dois meses lançou uma campanha para comprar produtos argentinos.
Dentro da lista de seus deputados federais, incluiu o atual presidente da União Industrial Argentina (UIA), Osvaldo Rial, como sinal de que os setores mais protecionistas do país terão um lugar no Parlamento para defender seus interesses.
Há menos de dois meses, para reverter o estancamento que estava tendo nas pesquisas, Duhalde despediu o assessor norte-americano James Carville e contratou o marqueteiro brasileiro Duda Mendonça. No entanto, a assessoria de Mendonça transformou-se em motivo de piada: Duhalde foi caricaturizado como Carmem Miranda, e houve brincadeiras com o nome do marqueteiro, já que ‘‘Duda’’ em espanhol significa ‘‘dúvida’’.
Além disso, a equipe brasileira entusiasmou Duhalde com a ‘‘Concertación’’, um projeto de pacote de leis emergenciais para tirar o país da crise, mas que precisaria ter apoio da oposição. O projeto naufragou imediatamente, no meio da indiferença da mídia.
Como se fosse pouco, Mendonça colocou Duhalde em uma propaganda onde aparece como vítima da oposição. ‘‘É o fim da picada’’, disse à ‘‘Agência Estado’’ um ex-integrante da campanha peronista, deslocado pelo marqueteiro brasileiro. ‘‘Querem conseguir do implacável eleitorado argentino o voto-compaixão.’’
O azar de Duhalde tornou-se folclórico. Em menos de 10 dias, a ex-esposa do presidente Menem admitiu que fez um aborto com a concordância do ex-marido, justamente quando Duhalde ataca a oposição por querer legalizá-lo. Depois, o assalto a um banco de um vilarejo do interior da província de Buenos Aires e a posterior morte dos reféns por causa da incompetência da polícia atingiu a imagem do candidato.
Para concluir, neste sábado, o principal comício do candidato, no estádio do River Plate, terminou debaixo de uma forte chuva.

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