Candidato de esquerda repudia alianças em 98
Arquivo FolhaSímbolo questionadoLula: provável candidato das esquerdas em 98 sofre oposição internaOs integrantes da Articulação não engoliram a carta que seis membros da Executiva Nacional (ligados ao bloco da esquerda) divulgaram, sem prestar solidariedade a Lula no caso da CPEM. Para eles, a hora era de buscar uma solução interna para as acusações em torno do partido e não contribuir para a polêmica sobre o assunto. Poucas semanas depois do manifesto, Milton Temer foi lançado para a presidência nacional do PT. Na avaliação do deputado federal Paulo Delgado (MG), o anúncio da candidatura é um sinal de que a ala à esquerda do partido explora o momento. Temer está procurando as fissuras e as desagregações para fortalecer sua candidatura, acusa Delgado, que apóia José Dirceu.
O deputado Milton Temer nega de pés juntos que tenha esta intenção. Saí logo candidato para unir o partido, politizando o debate e criando a discussão sobre os rumos do PT, afirma. Para a minha campanha, não interessa o resultado da comissão de sindicância sobre a CPEM. Ele acredita que as acusações são descabidas e que não está aí o problema do PT. O erro da gestão de José Dirceu, para Milton, está no esvaziamento do que chama de PT de luta. A maioria que comanda o partido não quer enfrentar a nova ordem econômica, discursa. Temos de radicalizar a nossa identidade e dizer que ou o presidente Fernando Henrique pára com essa reforma predatória do Estado, ou não tem acordo.
Esse discurso foi o que unificou as diferentes tendências à esquerda e os independentes - como Milton, a deputada federal Maria da Conceição Tavares (RJ) e o ex-deputado federal Vladimir Palmeira -, que, até o último encontro, há dois anos, fechavam com as posições da Articulação. Milton Temer já contabiliza a seu favor pelo menos metade dos votos do próximo encontro. O ponto principal que agrupa pensamentos tão díspares quanto o do candidato da oposição, um ex-comunista, e o dos trotskistas da tendência O Trabalho, é a discordância em relação à política de alianças adotada pela atual direção nacional.
Nós não tínhamos um problema político, de discordância teórica, com o José Dirceu e seu grupo, diz Vladimir Palmeira. Agora, temos: não é possível imaginar uma política de alianças que não seja de esquerda. Ele argumenta que um acordo eleitoral reunindo Lula, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), o ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT) e o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), não mudaria em nada o panorama político. E, para isso, de que serviria existir o PT?, aponta. O partido não pode adotar alianças puramente eleitorais, pragmáticas, mas, sim de base.
A posição da esquerda e dos independentes assusta o grupo que apóia Dirceu. A candidatura do Milton busca o isolamento do PT, sentencia o deputado federal José Genoíno (SP). Ele não vê como o partido possa eleger Lula presidente em 1998 sem uma aliança ampla, que inclua até setores descontentes do PMDB e PSDB. Em 1994, fomos derrotados com uma aliança de esquerda, lembra. Precisamos agora mudar a nossa atitude e procurar novos parceiros.
O polêmico governo de Vitor Buaiz, da Articulação, no Espírito Santo, é outro fator de divisão. A esquerda está preparando um documento, para apresentar no Encontro Nacional, no qual propõe a exclusão do governador das fileiras do PT. O argumento é de que Buaiz teria rompido com o programa partidário. Ele tem se adequado à política recessiva do governo federal, demitindo funcionários sem uma discussão prévia com o partido, critica o secretário-geral do PT, Joaquim Soriano, um dos aliados de Milton Temer.





