Brasília O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, ontem, os ataques que vem sofrendo na propaganda eleitoral de rádio e TV do candidato tucano José Serra. Lula citou as inserções em que o programa de Serra afirma que, caso o petista seja eleito, o Brasil pode ter uma crise econômica tão grave quanto a vivida pela Argentina.
''Acredito que fazer o que meu adversário está fazendo é não acreditar na inteligência do povo brasileiro, é não acreditar na capacidade de compreensão do povo. Acho que ele vai arcar com as consequências de fazer uma campanha em que o meu nome é mais utilizado do que o dele'', afirmou o candidato petista.
As declarações de Lula foram dadas após ser questionado sobre as críticas ao processo eleitoral brasileiro publicadas no jornal argentino ''Clarin'', pelo modo como a Argentina vem sendo tratada. Segundo o jornal, a campanha de Serra trata de ''forma desrespeitosa'' a Argentina.
O presidenciável do PT disse ainda que as pesquisas eleitorais demonstram que a sua campanha está no caminho certo, ao contrário da do seu adversário. Lula participou de carreata em Taguatinga (cidade satélite de Brasília) e Ceilândia; os dois maiores colégios eleitorais do Distrito Federal. Depois, ele embarcou para participar de comícios à noite em Belém e Macapá.
O candidato a vice-presidente de Lula, José Alencar (PL-MG), disse ontem em Porto Alegre que a primeira prioridade de um eventual novo governo deve ser o controle rigoroso da inflação. ''Mas isto não é um fim em si mesmo'', ressalvou, prometendo que o governo do candidato do PT, se eleito, usará a estabilidade monetária como um meio para promover o desenvolvimento.
Alencar apresentou suas propostas de governo para promover o desenvolvimento do Brasil e do Rio Grande do Sul a 400 empresários, reunidos em um hotel. Ele admitiu que a atual política financeira do governo federal ''tem seu valor'', por controlar a inflação, mas considerou-a insuficiente para as necessidades produtivas do País.
O vice na chapa petista propôs que o novo governo passe a usar instrumentos de crédito para fomentar a atividade econômica no País. IsTo poderia ser feito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, segundo Alencar, deve voltar-se ao financiamento de atividades produtivas, inclusive de pequenos empresários.

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