O festival de promessas no horário eleitoral, em Londrina, começou logo no programa de estréia do segundo turno, transmitido ontem à tarde. O candidato Homero Barbosa Neto, do PDT, afirmou que vai ‘‘recomprar’’ a Sercomtel S/A. A telefônica teve 45% das ações vendidas em maio de 1998 para a Copel por R$ 186 milhões e o dinheiro obtido no negócio já foi consumido pela prefeitura.
No ar, Barbosa perguntou a seu vice, Assad Jannani (PPB), que foi presidente da telefônica de 1992 a 1996, como será possível viabilizar o negócio sem onerar os cofres públicos. ‘‘Engenharia financeira’’, respondeu Assad. ‘‘Vou no mercado buscar recursos para comprar a parte do meu sócio (Copel). E ofereço como garantia as ações da empresa. É uma operação comum no mercado’’, assegurou Assad, ontem à Folha.
Ele disse acreditar que ‘‘com certeza’’ a Copel teria interesse em realizar o negócio porque a empresa energética não estaria fazendo novos investimentos na Sercomtel e, consequentemente, a telefônica estaria ficando sem competividade no mercado. ‘‘Vamos abrir o capital, transferindo a gestão para quem é do ramo.’’
Assad disse também que ‘‘duvida’’ que a Copel recuperasse hoje 50% do que investiu em maio de 98. ‘‘É o valor de mercado. Se eu comprei por dez e vale cinco, não adianta querer vender por 10 que não acha comprador. E a verdade é uma só: a Sercomtel, na época, tinha um potencial muito grande; hoje não tem mais’’, afirmou. Mesmo recebendo menos do que pagou, o candidato a vice acredita que a Copel aceitaria revender as ações. ‘‘Isso (a desvalorização) facilita o negócio porque ninguém quer ser sócio de uma empresa que está amarrada, sem competividade.’’
Além de recomprar as ações, Assad disse que pretende romper o acordo de acionistas assinado entre o município e a Copel. O acordo, segundo ele, tirou a soberania do município sobre a telefônica. Ele observa, por exemplo, que hoje mudar o presidente da empresa ou decidir sobre novos investimentos só é possível com a concordância da Copel, que é sócia minoritária. ‘‘Por isso nós vamos amigavelmente tentar romper esse acordo. Caso não seja possível, vamos tentar na Justiça.’’
Apesar do otimismo de Assad, o presidente da Copel, Ingo Hubert, assegurou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que no momento não está nos planos da empresa vender ações da Sercomtel. Sobre a afirmação de que a telefônica estaria sem competividade, Hubert respondeu: ‘‘Ficamos surpresos pois essas declarações não coincidem com os fatos nem com a realidade.’’ O presidente da Copel disse ainda que não está prevista a revisão do acordo de acionistas assinado com a prefeitura.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, preferiu não polemizar com Assad. Ele disse, também por meio da assessoria de comunicação, que não participou das eleições no primeiro turno e não participará no segundo. Por isso, não discutirá plataforma de governo de candidatos, ‘‘por mais corretas ou absurdas que sejam’’. Afirmou ainda que, após a eleição, pretende colaborar com o prefeito eleito e sua equipe ‘‘no sentido de fazer crescer ainda mais a Sercomtel.’’

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