Curitiba - O promotor eleitoral da 175 Zona Eleitoral de Curitiba e coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias Eleitorais do Paraná, Armando Sobreiro Neto, pediu para que a Justiça Eleitoral baixe na semana que vem uma portaria que proíba igrejas de qualquer denominação de fazer qualquer tipo de propaganda eleitoral nos templos religiosos. A portaria seria distribuída para todas as igrejas do Paraná com o intuito de alertar sobre os limites estabelecidos em lei sob pena de classificação dos dirigentes da denominação como praticantes de crime por desobediência.
A decisão foi tomada depois que o promotor recebeu em mãos a denúncia do candidato Mário Alves Ferreira (PDT), membro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Conhecido como Irmão Márcio Alves, o candidato argumentou que tem sido discriminado pelos pastores da igreja por não ter sido escolhido pela comissão eleitoral, que já conseguiu eleger os deputados federal Hidekazu Takayama (PMDB) e estadual Vanderlei Iensen (PMDB).
''Ele disse que os candidatos oficiais podem usar o púlpito e pedir votos para os fiéis. Os obreiros seriam obrigados a trabalhar nas campanhas dos candidatos escolhidos. Aqueles que não trabalhassem poderiam sofrer punições severas. As declarações dele foram fortes e nos deram a impressão de que a igreja está extrapolando seu papel religioso, tendo atribuições quase como um partido político'', explicou o promotor, que é evangélico e ficou indignado com o teor das denúncias.
Sobreiro usou como base para a portaria a Resolução 21.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no artigo 14, que proíbe propaganda eleitoral nos bens de acesso ao uso público (igrejas, cinemas e teatros). O promotor disse que ficará atento à destinação de recursos de igrejas para candidatos. ''Não há nada que proíba isso. Mas se houver destinação de doações, tem que haver declaração dos caixas de campanha'', assinalou. Sobreiro disse que quer evitar que as igrejas se transformem em palanques eleitorais.
Denúncia semelhante já teria sido feita em Cascavel. O pastor Moisés Lacourt, diretor administrativo da Igreja Assembléia de Deus, negou ontem que haja discriminação por parte da direção da instituição religiosa. ''A Igreja procura não se envolver com os candidatos e com os partidos políticos. A denúncia é infundada. Não tem o menor sentido'', justificou ele, em entrevista à Folha.
O assessor da diretoria administrativa da Assembléia de Deus, José do Carmo, informou ontem que o Irmão Mário Alves é candidato pela terceira vez e jamais sofreu qualquer sanção da igreja por se candidatar.
''Se ele fosse perseguido ou discriminado, teria sofrido punição por desobedecer as normas e ser candidato. Isso não ocorre. Ele deve ter ficado chateado porque a igreja tem candidatos oficiais. Mas todos são proibidos de fazer qualquer tipo de propaganda interna nas congregações. Nosso tratamento não é desigual'', complementou Carmo.
A Assembléia de Deus tem atualmente nove membros candidatos à vereança em Curitiba. Entretanto, dois deles têm a preferência da direção religiosa da Igreja: José Roberto Sandoval (PTB) e Luiz Pimentel (PMDB). ''Todo mundo tem direito de se candidatar. E temos direito também de apoiar ou não um candidato. Desde que não haja propaganda. É assim que atuamos'', complementou.
A Folha entrou em contato ontem com o candidato Mário Alves, mas ele não atendeu as ligações.

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