Candidatas gastam oito vezes menos que homens
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de setembro de 2010
Rosiane Correia de Freitas <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Se as chances de sucesso de uma candidatura à Câmara dos Deputados pudessem ser medidas pela quantidade de dinheiro investido na campanha, as chances do Paraná voltar a ter representantes mulheres em Brasília não parecem promissoras. É que segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das prestações de contas dos candidatos paranaenses à Câmara Federal, as candidatas mulheres gastam 8,60 vezes menos que seus colegas do sexo masculino.
A situação é simples: as 41 candidatas a deputada federal que prestaram contas ao TSE, gastaram, em média, R$ 11.350,26. Já os 173 candidatos do sexo masculino que prestaram contas declararam despesas, em média, de R$ 97.635,15. Mas não é só na hora de gastar que as mulheres ficam em desvantagem. Os dados do TSE mostram que as candidatas paranaenses arrecadaram 6,43 vezes menos que os homens que disputam uma cadeira na Câmara Federal.
Entre as mulheres candidatas o percentual das que declararam não ter tido despesa nem receita alguma nessa segunda prestação de contas à Justiça eleitoral é maior que o dos homens. Entre elas, 37,1% entregaram o relatório de contas zerado, enquanto que apenas 16,76% dos homens que prestaram contas disseram não ter movimentado nenhum recurso no período.
Os dados do TSE mostram que os partidos estão tendo dificuldades para fazer com que as candidatas participem efetivamente da eleição. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE), das 294 candidaturas deferidas no Estado para deputado federal, apenas 21,09% são de mulheres. Mas o órgão afirma que, no Paraná, o percentual de candidatura feminina foi respeitado.
Para a cientista política Luciana Veiga, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o menor volume de recursos registrados nas candidaturas femininas mostra que as mulheres são menos competitivas nas eleições. Elas recebem menos porque têm menos chance de se eleger, têm menos visibilidade, avalia.
Para Luciana, é preciso olhar quem são os financiadores dessas candidaturas para analisar melhor quem é que está falhando nesse processo. É o partido que não está investindo nas mulheres, são os financiadores ou é a própria candidata que não está indo atrás?, questiona. Os dados do TSE apontam que entre as candidatas a deputada federal, 29% da receita vêm dos partidos e comitês políticos, 26,64% vêm de empresas, 23,33% são de recursos próprios e 7,63% são de pessoas físicas.
Apesar da grande participação dos partidos e comitês nas receitas das candidatas, esse número não reflete inteiramente a realidade. É que dos R$ 210 mil aplicados por partidos e comitês nas candidaturas, R$ 199 mil foram destinados a uma única candidata, Cida Borghetti (PP). Se os partidos não estão investindo é sinal de que eles fornecem a vaga, mas na hora de distribuir o dinheiro e o tempo na televisão, priorizam os homens, avalia.
As contas das candidatas:
Número total de candidatas a deputada federal no PR
62
Candidatas que prestaram contas ao TSE
41 (66,13%)
Apresentaram a prestação em branco
23 (37,1%)
Média de gastos por candidata R$ 11.350,26
Candidatos do sexo masculino:
Número total de candidatos a deputado federal no PR
232
Candidatos que prestaram contas ao TSE
173 (74,57%)
Apresentaram a prestação em branco
29 (16,76%)
Média de gastos por candidato
R$ 97.635,15
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)


