O ex-preso político e integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Diogo Affonso Gimenez faleceu aos 70 anos, na noite desta quarta-feira, em Curitiba. Gimenez, que sofria de câncer, foi enterrado às 15 horas de ontem no Cemitério Paroquial do Abranches e deixa a mulher, Dolores, duas filhas e cinco netos. Ele foi amigo pessoal do líder do Partido Comunista Brasileiro Luiz Carlos Prestes e reconhecido como um dos responsáveis pelo reinício das atividades do ‘‘Partidão’’ no Paraná, nos anos 70.
Diogo Gimenez morreu 45 dias depois de ter recebido a indenização de R$ 30 mil do governo do Estado por ter sido preso e torturado durante a ditadura militar. Operário metalúrgico, começou a atividade política nos anos 40, no Estado de São Paulo, com participação ativa no movimento de defesa das reservas petrolíferas ‘‘O Petróleo é Nosso’’. Aos poucos se tornou amigo de Luis Carlos Prestes e acabou exilado na União Soviética por dois anos para estudar política.
De volta ao Brasil, Gimenez acabou se transferindo para Curitiba nos anos 70, quando passou a se dedicar a estruturar o PCB no Paraná. Os amigos presentes ao velório disseram que esta postura de destaque acabou trazendo problemas para o ex-militante, que foi preso e torturado em diversas oportunidades. ‘‘Ele apanhou, sofreu afogamentos em barrris com águas e fezes humanas, mas não abandonou a luta’’, disse Danilo Mattozo, 61 anos, que esteve preso com Gimenez durante a Operação Marumby, em 1975. Gimenez chegou a ser condenado durante o regime militar por tentar reestruturar o PCB no Paraná.
Livros Praticamente todas as redações de jornais de Curitiba conheciam aquele senhor que vendia livros. Em manga de camisa, com uma sacola de nylon, seu Diogo, como era conhecido Diogo Gimenez, ganhou a vida nos últimos anos vendendo conhecimento. Não eram livros quaisquer, de sua sacola saíam as obras completas de um Fernando Pessoa, verso e prosa, Augusto dos Anjos ou qualquer um que o freguês desejasse, desde que fosse boa literatura. Se algum jornalista se interessava pelo livro e tivesse dificuldades para pagar à vista, seu Diogo parcelava, fazia qualquer negócio. Não adiantava dizer que o livro estava muito caro: ‘‘as boas coisas da vida, como o conhecimento, não são baratas nem se encontram em qualquer esquina’’. Morreu anteontem com a mais sólida fé no ser humano e no propósito de um mundo melhor. ( Colaborou José Fernando da Silva).Arquivo FolhaMilitanteAos 70 anos e com câncer, Diogo Gimenez foi o primeiro ex-preso político a receber a indenização do Estado no dia 31 de agosto deste anoGuilherme Vieira

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