Curitiba - O cancelamento da concessão de trechos da BR-476 e PR-427, cedidos à Caminhos do Paraná no ano passado, está gerando vários protestos nos municípios próximos às rodovias. Os cerca de 60 funcionários que foram contratados pela concessionária para atuar na BR-476, próximo à Lapa, pretendem fazer uma grande manifestação nos próximos dias. As prefeituras de Lapa e de Porto Amazonas, cortada pela PR-427, querem que o governo federal se responsabilize por eventuais acidentes, já que o Ministério dos Transportes suspendeu a concessão.
A Caminhos do Paraná é responsável pela administração de cerca de 320 quilômetros de estradas no Paraná. No ano passado, o governo estadual cedeu à empresa um trecho de 43 quilômetros da BR-476, entre Araucária e Lapa e a PR-427, que lica Lapa a Porto Amazonas. O acordo consta de aditivo ao contrato firmado entre o Estado e a concessionária em 1996.
Como não houve licitação, o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, cancelou o aditivo. O diretor do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) do Paraná, Rogério Tissot, disse que o Estado não vai interferir na decisão do ministério.
A Caminhos do Paraná afirma que já investiu R$ 15 milhões na conservação dos dois trechos. A assessoria de imprensa do ministério informou que não há definição sobre possível restituição dos investimentos. A concessionária informou que vai questionar na Justiça o cancelamento. Por meio de nota, a empresa afirmou que ''tem convicção da legalidade dos atos contratuais firmados com o Governo do Estado e a União''.
Com a decisão do ministério, o governo federal volta a ser responsável pela BR-476, e o governo estadual, pela PR-427. Segundo Tissot, o governo estadual vai manter a rodovia em bom estado. ''A filosofia de conservação mudou. O governo anterior não conservava a malha pública, mas agora o DER está empenhado nisso'', afirmou.

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