Brasília - A reta final da campanha eleitoral à Presidência no ambiente digital voltou a ser palco de severos embates jurídicos e polêmicas sobre moderação de conteúdo. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp, espaço focado em mobilização política coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida atendeu a uma representação apresentada pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto o canal pró-Lula — que reunia mais de 4 milhões de inscritos — foi retirado do ar sob a justificativa de risco de circulação de desinformação e falta de registro oficial do canal, o canal correlato mantido pela oposição, denominado "Tropa do Flávio", permanece em pleno funcionamento no aplicativo de mensagens.

Segundo Janones, o canal foi derrubado por volta das 23h de terça-feira (13), após ter sido registrado como exigia o TSE. O canal deve voltar a funcionar por volta das 13h desta quinta-feira (15).

A determinação de suspensão partiu de decisão monocrática no TSE, sob o argumento de assegurar a paridade de armas e conter disparos em massa não regulamentados na reta final da disputa.

A campanha de Flávio Bolsonaro defendeu, na ação, que o canal "Exército do Lula" promovia a disseminação de narrativas enganosas e atuava à margem das regras eleitorais para impulsionar a candidatura governista.

O deputado André Janones e integrantes do PT rebateram as acusações, sustentando que o grupo atuava exclusivamente no engajamento e na mobilização orgânica de eleitores. A defesa alegou ainda que a suspensão violava a liberdade de expressão e a paridade do pleito, já que redes e canais similares da oposição continuavam operando normalmente.

ASSIMETRIA DIGITAL

A disparidade no tratamento dado aos dois canais acendeu o alerta em analistas de redes sociais e na coordenação de campanha do PT, que questionaram o desequilíbrio na alcance de eleitores durante o segundo turno.

Além da permanência do canal "Tropa do Flávio", entidades de checagem e veículos jornalísticos apontaram que publicações com teor opinativo forte ou desinformação continuam circulando na rede oposta sem bloqueios preventivos idênticos, reacendendo discussões sobre os critérios de moderação das plataformas e a celeridade das decisões da Justiça Eleitoral.

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