Canadá suspende compra de aviões e provoca mal-estar
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
A decisão da empresa canadense Bombardier Inc. de suspender a compra de 24 aviões Super-Tucano da Embraer para adquirir aeronaves da norte-americana Raytheon provocou um curto-circuito nas relações entre Brasil e Canadá, às vésperas da visita do primeiro-ministro canadense ao País, Jean Chrétien, dia 14 de janeiro. Em nota distribuída pelo Itamaraty, o governo anunciou a decisão de proceder a uma reavaliação de todos os projetos de interesse da indústria aeronáutica canadense no Brasil, e também que vai consultar seus sócios no Mercosul com vistas à suspensão dos entendimentos em curso sobre a conclusão de um acordo entre a união aduaneira e o Canadá.
A decisão da Bombardier, resultado da guerra comercial que a empresa canadense trava há meses com a Embraer, irritou muito o governo brasileiro. Ao expressar seu desagrado e inconformidade com a decisão em tela, o governo brasileiro não pode deixar de registrar também a inoportunidade da mesma e seus efeitos negativos sobre os interesses mais amplos do relacionamento Brasil-Canadá, diz o texto da nota do Itamaraty, que ressalta também o fato de o episódio ocorrer num momento favorável da relação dos dois países.
A desistência da Bombardier de assinar com a Embraer o contrato no valor de US$ 90 milhões para a compra das aeronaves tornou muito pouco provável, segundo o Itamaraty, que o acordo de cooperação comercial entre Mercosul e Canadá possa ser assinado durante a visita do primeiro-ministro Chrétien ao Brasil, Argentina, Chile e México. A assinatura poderia ocorrer na visita à Argentina. O primeiro-ministro virá acompanhando de uma missão composta por oito ministros, governadores das principais províncias e 470 empresários, que representam 433 empresas canadenses.
O subsecretário-geral para o Comércio Exterior do Itamaraty, embaixador José Botafogo Gonçalves, disse ontem que a decisão da empresa canadense provocou frustração. Parece que não há uma correspondência de esforços entre o Canadá e o Brasil, disse. O governo brasileiro pretende consultar os demais países do Mercosul - como Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile - para suspender os entendimentos sobre um acordo entre a união aduaneira e o Canadá.
O descredenciamento da Embraer é fruto da guerra comercial travada com a concorrente Bombardier, mas a compra das aeronaves integra parte de um programa de governo. Os aviões Super-Tucano seriam para um programa de treinamento de pilotos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no Canadá, o país operador do projeto. A empresa Bombardier foi escolhida pelo governo canadense para fazer o gerenciamento comercial do programa. A Embraer foi uma das empresas pré-qualificadas para o programa.


