Pelo terceiro sábado consecutivo o Movimento pela Moralização na Câmara Municipal de Londrina realizou a manifestação ''Cana Neles'' no Calçadão (área central). O objetivo é alertar a população sobre os escândalos de corrupção envolvendo os vereadores afastados Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Veadoato (PSC), além do ex-vereador Henrique Barros (sem partido). ''Queremos chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo no Legislativo londrinense porque as denúncias não podem cair no esquecimento. Daqui a 90 dias acontece a votação da cassação do mandato do Bonilha e, se não houver pressão dos eleitores, o parlamentar pode ser absolvido porque a Casa é muito corporativista'', justifica Miguel Ramos, um dos organizadores do movimento.
Acompanhando as denúncias feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma faixa pedia a opinião das pessoas sobre o fato de Renato Araújo ter se negado a oferecer ao Gaeco material para a realização de exame grafotécnico que comprovasse ser dele, ou não, a letra em uma lista com os nomes de nove vereadores, com números à frente de cada um, entregue ao Ministério Público pelo empresário Marcelo Caldarelli. A Promotoria investiga se ele teve de pagar propina a vereadores para receber, no final de 2005, um terreno de mais de 3 mil metros quadrados às margens do Lago Igapó 1. Os organizadores do movimento distribuíram cópias das anotações e afixaram no
''Mural da Indignação'' um cartaz com a pergunta ''Adivinha de quem é esta letra?''.
De acordo com Ramos, mais de duas mil assinaturas já foram coletadas pedindo que a Câmara julgue todos os vereadores denunciados pelo Ministério Público. O entregador Manoel José Luiz foi um dos eleitores que aderiu ao movimento. ''Todos devem ser julgados. Honestidade não é virtude, é obrigação. Os vereadores deveriam trabalhar em benefício da população. As pessoas devem ser mais atuantes nos movimentos pela moralização da política'', opina. As manifestações devem continuar pelos próximos sábados. O movimento também negocia um espaço na 48 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.

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