Mais de cem horas após o acidente aéreo que resultou na morte de Eduardo Campos e de mais seis pessoas, o corpo do ex-governador de Pernambuco foi enterrado ontem ao lado do avô, Miguel Arraes, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, em uma sepultura simples, sem luxo, rodeada apenas de flores e placas de mármore com identificação. Fogos de artifício e gritos de "Eduardo, guerreiro do povo brasileiro" e "viva Eduardo, viva Arraes" marcaram o encerramento da cerimônia. Campos, candidato do PSB à Presidência da República, morreu na última quarta-feira, 13, em um acidente aéreo em Santos, no litoral paulista.
Ao longo do percurso feito pelo cortejo fúnebre, centenas de coroas de flores enfeitaram as calçadas. Nas ruas, nos bancos, nas calçadas em cima dos jazigos – alguns seculares de mármore –, cada metro do cemitério foi disputado pelos admiradores do ex-governador na chegada do caixão com os restos mortais do político ao local. As vias próximas ao cemitério estavam cheias de ônibus com caravanas de várias cidades do estado. Segundo a Polícia Militar, 150 mil pessoas passaram pelo velório de Campos, na sede do governo de Pernambuco.
"Viemos prestar nossa solidariedade e agradecer tudo de bom que ele fez pela gente" , disse Mikaela Kalina, de 26 anos, que saiu da cidade de Ribeirão, a aproximadamente 100 quilômetros do Recife. Com ela, mais 300 pessoas foram ao Recife na caravana de oito ônibus.
Próximo à cova, apenas a família e amigos. Houve chuva de flores. O último adeus ao pai, irmão, filho, tio, neto, sobrinho foi observado atentamente pela multidão, que gritava pedindo justiça e que as causas do acidente sejam esclarecidas. A esposa, Renata Campos, quatro dos cinco filhos do casal, a mãe, Ana Arraes, que estiveram ao lado do caixão desde a madruga quando foi trazido de São Paulo, e o irmão, Antônio Campos, estavam entre os mais emocionados. A vice da chapa de Campos à Presidência da República, Marina Silva, esteve ao lado da família durante todo o tempo.

Vaia
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vaiados na manhã de ontem ao chegarem ao Palácio do Campo das Princesas para o velório de Eduardo Campos, que se tornou adversário dos dois no ano passado, quando decidiu disputar a Presidência. Eles chegaram pouco antes das 10h. Lula chorou, abraçou um dos filhos de Campos e conversou longamente com Renata. Após as vaias, alguém puxou aplausos e o público acompanhou.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e o ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante estavam junto com a presidente e o ex. O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-governador José Serra (PSDB-SP) e o senador Aécio Neves (MG), candidato tucano à Presidência, também foram ao velório.

Candidatura
O PSB deu ontem o primeiro passo oficial para escolher Marina Silva substituta de Eduardo Campos na corrida presidencial. O presidente do PSB, Roberto Amaral, divulgou nota dizendo que foi aberto "processo de consultas visando a construção de alternativa política consensual a ser adotada pela Executiva" do partido. A nota termina com a frase dita por Eduardo Campos, estampada em todas as camisetas utilizadas nos últimos dias por seus aliados, "não vamos desistir do Brasil".
Segundo o texto, o ex-candidato do PSB "nos legou o dever de tornar realidade sua luta, que é a de todos nós: construir um Brasil próspero e justo". O documento foi distribuído às vésperas da reunião agendada para a próxima quarta-feira, quando deve ser oficializada a candidatura de Marina e escolhido seu vice. O mais cotado é o deputado Beto Albuquerque (RS). A decisão, entretanto, passará pelo crivo da viúva Renata Campos. Seu nome também é citado como uma das possíveis candidatas a vice.

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