Recife e Fortaleza - No foco do debate nacional, apontado como potencial candidato a presidente da República em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, afirmou ontem que não se sente pressionado a definir uma eventual candidatura. ''O relógio do PSB trabalha no fuso horário do PSB'', garantiu. ''Não vamos trabalhar com o relógio dos outros, com o tempo dos outros e nem fazer o jogo dos outros. Vamos fazer o jogo do Brasil e o jogo do PSB.''
''Nosso jogo é muito claro'', reafirmou Eduardo, sem esconder a meta de fortalecimento e protagonismo do partido no Brasil. ''Não vamos atropelar ninguém, mas também jamais seremos atropelados'', destacou. ''Quem imaginar que o PSB vai renunciar ao projeto de ser um grande partido neste País está redondamente enganado.''
Indagado se o ex-presidente Lula errou ao lançar a candidatura da presidente Dilma à reeleição, antecipando o debate sucessório, disse respeitar quem pensa diferente, mas alertou para o perigo dessa discussão antes do tempo. ''Nunca vi quem está no governo, sobretudo quem está no governo com situação de dificuldade, antecipar o calendário eleitoral'', afirmou. ''Nunca vi isto dar certo.''
Para o governador, o debate sucessório só pode ser concluído quando estiverem todas as variáveis colocadas. ''Quem quiser descobrir hoje o que vai acontecer vai quebrar muito a cabeça e dificilmente vai descobrir'', opinou, ao defender um debate político ''elevado'', num ano desafiador que se tem pela frente. ''Precisamos ter racionalidade, tranquilidade, para não desfazer o que fizemos nos últimos 20 anos neste país. É isto que precisamos ter'', frisou.
Lula
Já o ex-presidente Lula negou ontem, ao abrir a reunião do diretório nacional do partido em Fortaleza, que esteja tentando impedir uma possível candidatura do governador de Pernambuco à Presidência da República. Mas o petista afirmou que a entrada do aliado na disputa eleitoral poderia colocar em risco a parceria ''histórica'' entre as duas siglas.
''Defendo a liberdade incondicional de cada partido de fazer o que bem entenda. Se não fosse assim, o PT não teria chegado à Presidência da República. Portanto, eu jamais tomaria qualquer atitude para impedir que um companheiro fosse candidato a presidente'', disse Lula. ''O que temos que ver é se, estrategicamente, é importante a gente colocar em risco uma coisa que tem dado tão certo nesse País, que é a aliança histórica entre PT e PSB.''
Lula teceu elogios a Eduardo Campos, e disse que é muito amigo do governador de Pernambuco, do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e de seu irmão, Ciro Gomes (PSB). ''Ele (Eduardo) é uma personalidade que pode desejar qualquer coisa que ele quiser nesse País'', afirmou. ''O meu papel é fazer todo o esforço para que a gente esteja junto. Temos que construir uma aliança muito forte.''
Michel Temer
O ex-presidente ainda rebateu comentários do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB). Semana passada, ele chegou a dizer que Lula teria indicado que a vaga de vice da presidente Dilma Rousseff (PT) permaneceria com o PMDB, nas mãos de Michel Temer. O comentário foi feito em meio a especulações de que Dilma poderia ceder a vaga de vice a Eduardo Campos, com o objetivo de manter a aliança com o PSB.
''Deixa eu falar uma coisa em alto e bom som: quem escolhe vice é a presidenta, não sou eu. Quando fui presidente da República, escolhi duas vezes o meu vice, José Alencar. Jamais iria escolher um vice para a Dilma. É ela que vai escolher o melhor partido para indicar. Não serei eu'', disse Lula. ''Como ela tem uma bela amizade com o PSB e nossa relação é histórica, e ela tem uma boa amizade com o Eduardo Campos, no momento certo eles vão conversar e, no final, entre mortos e feridos, todos serão salvos.''

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