Campo Mourão tenta reconquistar representação
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A prática do chamado ''pára-quedismo'' na política, quando candidatos de regiões distantes conquistam votos em uma determinada localidade, em prejuízo dos candidatos ''nativos'', causou tanto transtorno na região de Campo Mourão nos últimos anos que a sociedade civil resolveu protestar e tomar uma atitude. A região vai tentar eleger, amanhã, pelo menos um representante no Poder Legislativo estadual, que tem 54 cadeiras. Cinco candidatos a deputado estadual representam a região, e dois a federal.
Campo Mourão, cidade-pólo, tem 58 mil eleitores, sendo o 19º maior colégio eleitoral do Estado, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Se considerados os 25 municípios da região, são 248 mil eleitores. Apesar do tamanho, a região - forte na agroindústria e atividade madeireira - está sem representantes na Assembléia Legislativa e Câmara Federal, enquanto que a região de Francisco Beltrão (Sudoeste), por exemplo, tem dois deputados estaduais e dois federais. Já Foz do Iguaçu conta com três deputados estaduais.
Conforme levantamento da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), na eleição passada para deputado estadual, em 2002, dois terços dos eleitores dos 25 municípios da região votaram em candidatos com origem em outras cidades. Os candidatos à Assembléia, lançados na área da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), receberam apenas 63.745 votos (33,4%), enquanto os candidatos de fora conseguiram 126.988 votos (66,6%).
A maior evasão de votos para deputado estadual na eleição passada aconteceu no município de Terra Boa (46 km ao norte de Campo Mourão), onde 98% dos eleitores votaram em candidatos de outras regiões.
O pior é que desde 2004 a região, que já chegou a ter três representantes na Assembléia, está sem nenhum representante na Casa. Isso porque o único eleito em 2002 pela região, o deputado Nelson José Tureck (PMDB), renunciou ao mandato de parlamentar há dois anos para assumir a Prefeitura de Campo Mourão. Na prática, ficar sem um representante no Legislativo significa que a região acabará preterida na hora do repasse de recursos para obras, por exemplo, pois não haverá nenhum deputado para propor emendas ao Orçamento que beneficiem determinadas cidades.
Para evitar a evasão de votos e, por tabela, a continuidade da falta de representação tanto na Assembléia quanto em Brasília, várias entidades de Campo Mourão lançaram no início de setembro o Movimento Acorda Comcam. Participam, entre outras entidades, a Acicam, o Sindicato Rural, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Sindicato Patronal do Comércio.
Em entrevista à Folha, o presidente da Acicam, Nestor Bisi, disse que, se amanhã a região conseguir eleger alguém, o trabalho do parlamentar, ou parlamentares, será acompanhado todo dia. ''Vamos cobrar e criticar'', avisou. Bisi reclama que os votos da região acabam pulverizados, porque políticos de outras regiões (ou com a principal base eleitoral em outra cidade) recebem votação expressiva em Campo Mourão. É o caso do deputado federal Odílio Balbinoti (PMDB-PR), por exemplo, que tem base em Maringá e região mas também tem muitos eleitores na região de Campo Mourão. É comum, aliás, que os parlamentares mantenham bases, aliados e eleitores em mais de uma região, representando várias cidades.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Sorvos (PDT), disse que o eleitor deve ficar atento e descobrir quais candidatos têm identificação com a região. Isso porque muitos aparecem em determinados municípios de quatro em quatro anos e prometem obras que não são necessárias. ''Esses estão deslocados da realidade. Sei do caso, por exemplo, de um parlamentar que prometeu a reforma de um ginásio de esportes que acabava de ser inaugurado, além de um hospital que tinha acabado de ser construído'', disse Sorvos. ''A falta de identidade com o local compromete o trabalho do parlamentar'', emendou.


