Curitiba - O deputado estadual André Vargas (PT) continuará no comando estadual do PT. Embora o resultado final das eleições internas do partido não tenha sido oficialmente divulgado até o início da noite de ontem, Vargas mantinha durante toda a tarde de ontem um índice de cerca de 60% dos votos válidos, o que afastaria a hipótese de um segundo turno no Estado. A vitória de Vargas mostrou a força do Campo Majoritário, reunião de tendências internas do partido que vem dirigindo a sigla nos últimos anos.
Na tarde de ontem, Vargas evitava falar como presidente reeleito, mas estava confiante da vitória. ''Mesmo com todas as críticas que as outras candidaturas à esquerda fizeram, aproveitando-se do momento político em Brasília, os filiados mostraram que acreditam que estamos fazendo um bom trabalho à frente do partido. O PT cresceu, temos um projeto de candidatura própria ao governo do Estado e vamos fortalecer o partido'', afirmou Vargas.
A reeleição de Vargas era contestada por quatro outros candidatos, que haviam firmado uma proposta de apoio mútuo caso houvesse um segundo turno: o deputado estadual Tadeu Veneri, o deputado federal Dr. Rosinha, o ex-prefeito de Maringá João Ivo Caleffi e Professor Cafu. Muitas das críticas a Vargas passavam por sua ligação com o Campo Majoritário, que tinha como principal expoente nacional o ex-minitro José Dirceu, além de outros nomes envolvidos no escândalo do mensalão.
''O partido mostrou que sabe diferenciar as coisas. A responsabilidade desses membros é individual, e se eles fizeram algo de errar terão que ser punidos por isso. Tentar vincular todos os integrantes do Campo à atitude de alguns era um ato irresponsável'', afirmou Vargas.
O virtual presidente reeleito considerou bom o comparecimento dos filiados às urnas. Dos cerca de 50 mil filiados do partido, 34% teriam comparecido às urnas, de acordo com a assessoria do PT. ''Esperávamos em torno de 40%, mas temos que levar em conta que as chuvas de domingo dificultaram o comparecimento do pessoal'', ressaltou Vargas.
Além da direção estadual, o Campo Majoritário também teve bons resultados nas principais cidades do Estado. Em Londrina, o representante do grupo, Antonio Kraspovicz, teve uma eleição tranquila. Em Curitiba, onde o Campo lançou três chapas distintas, a vitória no primeiro turno foi de um oposicionista o ex-vereador Adenival Gomes. Mas a soma dos votos das três chapas do campo supera a de Adenival. ''Nossa expectativa é vencer o segundo turno com o (ex-vereador) Pedro Paulo. Além disso, nossa votação garante a mesma proporção de cadeiras na executiva municipal que já tínhamos até as eleições'', lembrou o deputado estadual Angelo Vanhoni, outro integrante do Campo Majoritário. Em Ponta Grossa, Maringá e Foz do Iguaçu, o Campo Majoritário também elegeu representantes ainda no primeiro turno.
Segundo Vargas, a vitória do Campo Majoritário deve resultar na indicação de um de seus membros para disputar a eleição para governador no ano que vem. ''É um desdobramento natural. Temos bons nomes para a disputa, e hoje eu destacaria o senador Flávio Arns, o presidente da Itaipu Jorge Samek e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo'', disse Vargas.

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