Curitiba - Abalado pela maior crise a atingir o partido em seus 25 anos de história, o PT tem outro desafio pela frente: a realização das eleições para os diretórios nacional, estaduais e municipal, previstas para o dia 18 de setembro. O processo eleitoral interno deve ser o teste de fogo para o chamado campo majoritário, que controla a direção nacional do partido e a maior parte dos diretórios estaduais, inclusive o paranaense. O campo majoritário é formado pelas duas maiores correntes dentro do PT: a Articulação e a Unidade na Luta.
No Paraná, o deputado estadual André Vargas é o representante do campo majoritário, e disputa a reeleição para presidente do diretório estadual. Vargas acredita que, apesar da crise, sua reeleição é possível. ''Obviamente a crise e a política econômica e de alianças estarão em discussão. Mas temos que analisar também o futuro do PT e a organização partidária. E nesse ponto, modéstia à parte, estou realizando um bom trabalho. Nesses quatro anos em que estou à frente do PT no Paraná, o partido cresceu e se organizou em quase todos os municípios, além de termos elegido a maior bancada de deputados federais e estaduais'', ressaltou Vargas. ''Além disso, as denúncias atingem apenas alguns membros do campo majoritário em Brasília, sendo que a vasta maioria, na qual eu me incluo, não teve participação nem ciência de nada disso do que está sendo publicado'', completou Vargas.
Já os três candidatos representantes das tendências minoritárias do PT acreditam que o momento é propício para a troca da direção do partido e dos rumos adotados pelo PT na condução do país. ''Todo esse cenário que se apresenta hoje é fruto de uma política de alianças que não condiz com a história do PT. E independentemente da crise, as correntes minoritárias já vinham criticando e elaborando projetos alternativos para a política econômica do governo, que poderemos mostrar agora nesse debate'', acredita o deputado estadual Tadeu Veneri, que também disputa o diretório estadual.
Uma incógnita ainda para as eleições de setembro será o comportamento dos militantes. No Paraná, o partido conta com 50 mil filiados. ''Apesar do grande número de filiações recentes, acredito que o número de votantes não passe muito dos 20 mil eleitores. Há um desânimo muito grande, gente que confessa estar com vergonha de estar no PT em virtude das denúncias. Mas é o momento dessas pessoas perceberem que o momento é ideal para a mudança, não só votando nas eleições internas, mas também dizendo o que elas querem para o PT e para o futuro'', comentou Veneri.
Candidato pela corrente Movimento PT, o ex-prefeito de Maringá João Ivo Caleffi confia numa participação maciça dos filiados. ''Eu sinto uma indignação e uma vontade de mudar muito grande entre os militantes. Mas a participação de todos vai depender do debate que os candidatos se propuserem a realizar. Mesmo com a crise, o nível da campanha deve ser alto, ou isso vai fragilizar ainda mais o partido'', analisou Caleffi.
O processo eleitoral do PT é realizado em dois turnos, caso nenhum candidato atinja a maioria dos votos na primeira votação. Mas já há um acordo para que os candidatos das correntes minoritárias se unam em um eventual segundo turno. ''É o caminho natural, visto que temos idéias semelhantes de resgate da identidade do partido. Essa troca no comando é necessária para que o PT possa sobreviver como partido. Irão sobrar cicatrizes de todo esse processo, mas elas serão curadas muito mais facilmente com a retomada das idéias que fizeram o PT'', defendeu Dr. Rosinha, candidato pela corrente Democracia Socialista ao diretório estadual do Paraná.

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