Campinas também está no plano
Arquivo FolhaCOM TUDOTorgan: comissão está indo a fundo para investigar, indiciar e pedir prisão de envolvidos com o crime organizado, que liga roubos ao tráfico de drogasO relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE) anunciou ontem em Brasília, que representantes da comissão também deverão ir ainda esta semana a Campinas (SP), a fim de investigar a ligação do roubo de carros com o narcotráfico. Ao ser informado de que o marido de uma dona de casa executada na semana passada naquela cidade paulista responsabiliza o empresário William Walder Soto pelo crime e o acusa de chefiar, em Campinas, uma quadrilha ligada ao deputado cassado Hildebrando Pascoal, do Acre, e ao deputado Augusto Farias (PFL-AL), Torgan disse que isso apenas confirma suspeitas da CPI.
Um dos nomes citados por bandidos e traficantes dentro da sociedade de Campinas, como sendo um dos principais envolvidos com atividades criminosas, é o do ex-presidente do Guarani, Beto Zini. Segundo Torgan, os assaltantes de caminhões centralizam as operações em Campinas, vendem as mercadorias, depois levam o veículo para a Bolívia, onde o trocam por cocaína, trazida principalmente para São Paulo e para a região Nordeste do País. Torgan disse que a CPI está chegando a resultados graças à união entre seus membros e da comissão com a população.
Torgan fez um apelo para que a população continue trazendo denúncias à CPI ou, pelo menos, aos meios de comunicação, para que levem as denúncias ao ar. Segundo ele, a CPI está mesmo decidida a botar os traficantes na cadeia, em trabalho conjunto com o Ministério Público e o Judiciário.
Segundo o deputado, geralmente as punições vinham atingindo os intermediários, e a população ficava reclamando a punição dos chefes do narcotráfico. Agora, segundo ele, a CPI está indo a fundo, buscando a comprovação de seu envolvimento, para pedir o seu indiciamento e prisão.
O deputado Moroni Torgan disse que a comissão já chegou a cerca de 30 prisões e deve alcançar pelo menos 150 indiciamentos de pessoas envolvidas com o narcotráfico no País, contando apenas uma rede de tráfico espalhada por 14 Estados, sem considerar a máfia dos nigerianos, a do Suriname – que também tem agido no País – e tampouco o crime organizado do Rio, que é abastecido pelo cartel de Cáli, cujo comando está na Colômbia.

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