Campinas centraliza quadrilhas
Paulo San Martin
Especial para a Folha
A CPI do Narcotráfico desembarca na próxima semana em Campinas (100 km a oeste de São Paulo) com a convicção de que começa a chegar ao coração do crime organizado no Brasil. Investigações realizadas nas últimas duas semanas revelaram que a Conexão Campinas, um dos braços do crime organizado no País, é utilizada em gigantescas operações internacionais de lavagem de dinheiro.
Até agora a CPI só havia chegado nos criminosos, nas quadrilhas. Mas o verdadeiro centro do crime, aquele que realmente é capaz de mantê-lo em funcionamento, é o seu sistema financeiro, que inclui a lavagem de dinheiro, afirma o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), um dos integrantes da CPI. A Conexão Campinas seria um dos principais centros responsáveis pela lavagem de cerca de US$ 50 milhões por mês.
As operações que começam a ser investigadas pela CPI envolvem casas de câmbio no Brasil e Paraguai, além de bancos, empresas de fachada, concessionárias de veículos e agências de turismo.
O dinheiro circula por Zurique, Nova York, Milão, Montevidéu, Croácia e paraísos fiscais conhecidos, como as Ilhas Cayman, antes de voltar limpo para o Brasil. A região de Campinas teria sido escolhida por grandes quadrilhas por reunir duas qualificações. Além de ser a terceira praça bancária do País, está num dos mais importantes entroncamentos brasileiros de transporte e movimento de cargas, por via terrestre e aérea, conta Biscaia.
O deputado disse ontem que a CPI deverá acelerar a ida para Campinas, depois de ter recebido informações de que as operações de envio de dinheiro para o Brasil serão aceleradas nas próximas duas semanas. O motivo seriam as próprias investigações da CPI. Os responsáveis pela lavagem do dinheiro estariam realizando um esforço especial para trazer ao Brasil a maior quantidade de dinheiro já lavado no exterior. Eles temem que as atuais contas já estejam na mira da CPI e querem reorientar suas operações, afirma.





