Campêlo Filho acusa Ministério Público
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terça-feira, 26 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O ex-secretário de Estado de Governo, José Cid Campêlo Filho, acusou ontem o Ministério Público Estadual (MP) de não ter se aprofundado nas investigações da venda de créditos tributários da Olvepar Indústria e Comércio Ltda empresa que trabalhava com a compra e venda de soja e que estava falida desde junho de 2002 para a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). As acusações tiveram como base o fato de o Tribunal de Contas (TC) ter dado parecer aprovando a negociação. Os créditos somavam R$ 43 milhões e foram comprados com deságio por R$ 39,6 milhões. ''O parecer do Tribunal de Contas não foi em tese como o meu. O parecer dava dados, números, citava a Olvepar. No entanto, o conselheiro Heinz Herwig não foi chamado para dar explicações'', afirmou ele, em depoimento à CPI da Copel.
Herwig deu o aval no parecer emitido pela funcionária do TC, Desirée Fregonese. Como o cargo de conselheiro prevê foro privilegiado, Herwig teria que ser ouvido em Brasília. ''A impressão que eu tenho é que o Ministério Público passou com vôo de pássaro pelo Tribunal de Contas'', disse Campêlo Filho.
Uma auditoria interna feita na Copel demonstrou que Desirée tinha conhecimento de toda a transação que seria feita com a Olvepar. Diversos e-mails trocados entre a diretoria e o Tribunal de Contas foram anexados às investigações do MP e da CPI. ''O que tem que ficar claro é que o Tribunal de Contas tem a obrigação de se manifestar quando o Estado faz consultas. O Ingo (Hubert, ex-presidente da Copel e ex-secretário da Fazenda) teve a prisão pedida injustamente'', defendeu ele. O pai de Cid Campêlo Filho é o advogado de Hubert no processo.
O presidente da CPI, Marcos Isfer (PPS), acolheu as justificativas do ex-secretário. ''Fica claro que quem fazia todas as manobras era o próprio presidente da Copel que queria estar amparado na legislação e em pareceres do Tribunal de Contas e da secretaria de Governo. Ele é que terá que responder uma série de questionamentos que a CPI ainda tem'', afirmou ele. O depoimento de Ingo Hubert está marcado para o dia 2 de agosto.
Desirée e Herwig não serão ouvidos pela CPI da Copel. De acordo com Isfer, para evitar atritos institucionais entre a Assembléia Legislativa e o Tribunal de Contas. Procurados pela reportagem da Folha, os dois não foram localizados ontem.


