Curitiba - Toda a transação de compensação de créditos, motivo das prisões ontem, teria sido respaldada pela edição do Decreto 6.244, assinado pelo secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho. O advogado e ex-secretário de Estado foi o único dos acusados presos que se dispôs a falar, pela manhã, com a imprensa. O ex-secretário de Fazenda, Ingo Hubert, preferiu o silêncio.
Campêlo Filho disse que assinou o decreto para a compensação de dívidas, assim como assinou outros quase ''10 mil decretos'' durante o governo Lerner. No entanto, atentou para o artigo 3º do referido decreto, que estabelecia que a homologação e o deferimento da transação seriam feitos pelo secretário da Fazenda, precedidos de análise técnica.
Campêlo Filho destacou que o decreto serviu como um instrumento para autorizar a negociação entre Copel e governo. O decreto consta no site do governo do Estado e em seu teor diz que ''fica autorizado o secretário de Estado da Fazenda a liquidar dívidas do Estado do Paraná com a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) por compensação com créditos tributários líquidos, certos e vencidos dessa com a Fazenda Estadual''.
O ex-secretário alegou que a prisão teve motivação política. ''Eu me considero o primeiro preso político após a ditadura'', declarou. Para ele, a prisão foi orquestrada pelos ''mandatários do atual governo e do Ministério Público'' e por ''outras pessoas'' que ele não quis citar. Ele chegou a sugerir que a prisão teria relação com a troca do comando da Procuradoria-Geral de Justiça. Sem citar nomes, disse que quem deixa o cargo teria que fechar sua gestão com algo marcante. A procuradora Maria Teresa Uille Gomes repassa o cargo para Milton Riquelme de Macedo amanhã, dia 8.
O ex-secretário afirmou que não considera a transação irregular e que havia um parecer técnico para a compensação. Sobre a contratação da Adifea, Campêlo Filho argumentou que a decisão de contratá-la foi da Copel. Sua participação foi apenas de manifestar, em uma reunião com a Copel, que o governo concordava com a operação de crédito.
Campêlo Filho disse que estava confiante que seria solto ainda ontem. O embasamento de sua defesa para o pedido de habeas corpus é de que só o TJ poderia atuar no caso por conta da jurisprudência (de foro privilegiado) existente no STJ. O advogado dele é o próprio pai José Cid Campêlo. Por volta das 14 horas, ele foi até o Tribunal de Justiça para entrar com o pedido de habeas corpus. O desembargador Jesus Sarrão se declarou impedido de julgar o pedido. No início da noite, o habeas corpus foi concedido pelo desembargador Ruy Fernando de Oliveira.
Abalado emocionalmente, José Cid Campêlo (o pai) preferiu evitar a imprensa. Disse apenas que resolveu embasar o pedido de habeas corpus para o filho, nos fatos de o mesmo ter foro privilegiado e, portanto, o juiz da Central de Inquérito seria incompetente para julgar um pedido de prisão preventiva contra ele ou contra Ingo. O pedido de habeas corpus foi embasado no artigo 567 do Código de Processo Penal. ''É uma perseguição política. Estou sofrendo muito. Quero ser preservado nesta hora'', disse. Campêlo, que já foi advogado de Ingo Hubert, ontem advogava só para o filho. (Colaborou Luciana Pombo)

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