Campelo assume em RR sob protestos
Zequinha Neto Agência Estado
O ex-diretor-geral da Polícia Federal João Batista Campelo voltará hoje a assumir a Secretaria de Segurança Pública de Roraima. Ele ocupava o cargo havia três dias quando foi chamado para a direção da PF - onde também ficou três dias, e caiu, pressionado por denúncias de ter sido torturador no período da ditadura militar. Com a demissão, o governador Neudo Campos (PPB) resolveu trazê-lo de volta.
Entidades de direitos humanos da OAB e Igreja Católica, além do Sindicato dos Policiais Civis do Estado, devem fazer um protesto na posse, marcada para as 11 horas em Boa Vista. Campos alegou confiar no trabalho do delegado. Nada ficou provado contra ele e tudo não passou de intriga política, disse.
Pablo Sérgio, da Comissão dos Direitos Humanos da Diocese de Boa Vista, defendeu a condição de vida do homem. A Igreja no Brasil tem um passado de luta e respeitaremos o passado de qualquer forma, disse. O deputado Iradilson Sampaio, do PSDB, comentou: O que não serve para o Brasil não pode servir para Roraima, e espero que o governador tenha bom senso e volte atrás nesta nomeação que manchará certamente o Estado.
MonteiroO substituto de Campelo no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, delegado Agilio Monteiro Filho, superintendente da corporação em Minas Gerais, toma posse amanhã, com a presença de militantes dos direitos humanos, como o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara. Ele é direito e não tem nada que o desabone, diz Miranda.
Quando escolheu Monteiro Filho para o cargo, o governo não imaginava que a repercussão seria tão boa. Nem mesmo se sabia que no currículo dele havia fatos que o fizeram ganhar a simpatia da esquerda. Ele teve passagem pelo Dops em Minas Gerais, mas não existe nenhum caso que pudesse ser denunciado por extrapolar os direitos humanos. Ao contrário, a esquerda só lembra de um inquérito onde Monteiro Filho atuou, durante a ditadura, quando denunciou vários fazendeiros por genocídio.
Em pleno regime militar, ele conseguiu incriminar os fazendeiros pela morte de cinco índios, lembra Miranda. Além desse caso, há outros em que ele trabalhou e não extrapolou sua função pública, acrescenta o deputado, assegurando estar na posse do delegado. Se ele não tem nada que o desabone, terá nosso total apoio, diz o líder do PT na Câmara, José Genoino (SP).
Depois da posse, Monteiro Filho vai reunir-se com todos os superintendentes da PF e, possivelmente, irá expor o programa de trabalho. No dia seguinte, irá a uma solenidade de incineração de drogas em MS. (Colaborou Edson Luiz/Agência Estado).





