Campêlo ameaça deixar o governo
Arquivo FolhaA mini-reforma administrativa costurada pelo governador Jaime Lerner para suprir o afastamento dos secretários de Estado interessados em disputar um cargo eletivo passa pela primeira crise. O advogado José Cid Campêlo Filho (foto) disse ontem que não quer ser o diretor geral do novo secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira. E ameaça deixar a administração Lerner se não for nomeado chefe da Secretaria de Governo. Se quiserem me manter como diretor, estou fora, declarou.
Campêlo ocupa informalmente a função de secretário, cargo hoje acumulado pelo ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PFL), desde 97. Ligado ao grupo político do governador Jaime Lerner e de Greca, ainda quando prefeitos de Curitiba, o advogado justifica a sua condição. A Casa Civil faz a parte política. A Secretaria de Governo, a técnica. Acho de bom tom deixar as coisas separadas, avalia.
Campêlo diz que a questão não é pessoal. É um problema administrativo que precisa ser corrigido, emenda. Ele lembra que a reforma administrativa promovida por Lerner em meados de 95, com o aval da Assembléia, fez esta divisão. Cândido Martins tem uma interpretação diversa. Na semana passada, quando manifestou sua vontade em manter Campêlo na diretoria geral, disse que a mesma reforma lhe garante o acúmulo das funções.
Para Campêlo, a palavra final é do governador. Não fiz nenhuma imposição, não é do meu gênero. Apenas apresentei o meu ponto de vista, disse. Ele aguardava ontem uma manifestação de Lerner, que passou o Carnaval na Ilha das Cobras, a casa de veraneio do governo no litoral, analisando a mini-reforma que passa a vigorar a partir da próxima segunda-feira, conforme informou o Palácio Iguaçu. (L.D)





