Campanhas eleitorais tentam mudar imagem de candidatos
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sábado, 11 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio - O programa de televisão gratuito do PT, que foi ao ar na noite da última quinta-feira, deu todas as dicas de como o partido pretende atingir o eleitorado que ainda resiste a Luiz Inácio Lula da Silva. A imagem de pai e avô, que cozinha com a família no fim de semana e se emociona ao lembrar da infância difícil, e os depoimentos de mulheres petistas são um caminho para buscar a atenção do eleitorado feminino. Nessa camada, Lula tem desempenho nove pontos porcentuais abaixo do eleitorado masculino.
A eleitora de baixa e média renda é um dos pontos de dificuldade do candidato petista. No partido, acredita-se que essas mulheres ainda associam Lula a uma imagem de radical e de pouca sensibilidade.
Há outros desafios para o candidato, porém, que não dependem da imagem mas de composição política: é a divisão por regiões. O desempenho de Lula é nove pontos porcentuais maior no Nordeste (39%) do que no Sudeste (30%), segundo a última pesquisa do Ibope. A saída para essa diferença, sustentam os petistas, é a ampliação de alianças nos Estados. Queremos reduzir a rejeição e nos firmar em torno dos 40%, diz o secretário de Comunicação do PT, Ozéas Duarte.
Garotinho - Quando analisa os pontos fortes e as deficiências do desempenho do candidato do PSB, Anthony Garotinho, nas pesquisas eleitorais, o publicitário Elísio Pires diz que há uma camada do eleitorado de alta renda, alto nível de instrução e que vive fora do Sudeste para quem o ex-governador do Rio de Janeiro é populista e só faz restaurante, hotel popular e piscinão. É muito difícil tentar ganhar esse eleitor. Mas, falando com cruel objetividade, ele não decide eleição. Representa 15% a 16% do eleitorado, diz Pires, um dos estrategistas da campanha de Garotinho.
Mais importante, reconhece, é tentar alcançar o morador das pequenas cidades do interior, área onde o candidato socialista tem os piores índices. Garotinho chega a 20% nos municípios com mais de 100 mil habitantes, segundo a última pesquisa do Ibope, mas fica em 9% nos que têm até 20 mil habitantes. Para Elísio, o motivo é o desconhecimento dos moradores.
Como visitar cada um desses lugares é praticamente impossível, o candidato, que é radialista, usa um instrumento que conhece bem. Garotinho fala pelo menos para uma dúzia de programas de rádio por dia, diz Elísio Pires. O PSB também aposta no programa de televisão do partido para diminuir o índice de desconhecimento de Garotinho, que está em torno de 20%.


