"Herdeiros políticos" eleitos para a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná no mês passado tiveram parte das campanhas bancadas pelos pais. De 11 deputados estaduais eleitos que são filhos de políticos, apenas quatro não receberam doações por parte dos pais.
Entre os 11, cinco são estreantes na vida pública: Requião Filho (PMDB), filho do senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB); Maria Victória (PP), filha do deputado federal eleito Ricardo Barros (PP) e da deputada federal e vice-governadora eleita Cida Borghetti (Pros); Felipe Francischini (SD), filho do deputado federal reeleito Fernando Francischini (SD); Paulo Litro (PSDB), filho da deputada estadual Rose Litro (PSDB) e do ex-deputado estadual Luiz Fernandes da Silva Litro; e Tiago Amaral (PSB), filho do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) e ex-deputado estadual Durval Amaral. Destes, apenas os dois últimos não contaram com o apoio dos pais nas contas eleitorais informadas à Justiça Eleitoral.
Entre os reeleitos à AL, filhos de políticos, apenas Pedro Lupion (DEM) não declarou doações do pai, o ex-deputado federal Abelardo Lupion (DEM). Já os reeleitos Artagão Júnior (PMDB), Bernardo Carli (PSDB), Anibelli Neto (PMDB) e André Bueno (PDT) receberam apoio financeiro dos pais políticos.
De todos os 11, o que mais obteve auxílio paterno é o deputado federal Ratinho Júnior (PSC). O apresentador e empresário Carlos Roberto Massa, o Ratinho, doou R$ 254 mil à campanha do filho para a AL. O candidato teve a maior arrecadação entre os eleitos (R$ 3,09 milhões), dos quais R$ 2,02 milhões, ou 65% do total, saíram de seus próprios recursos.
Em seguida vem Requião Filho. Seu pai transferiu da campanha de governador para a dele R$ 206,7 mil em valores estimados, como é declarado algum serviço ou bem colocado à disposição do candidato. O total arrecadado soma R$ 708,5 mil.
Artagão Júnior foi o que recebeu a menor doação do pai. O conselheiro do TC Artagão de Mattos Leão repassou ao filho R$ 1,4 mil, também em valores estimados. O candidato, entretanto, investiu R$ 100 mil do próprio bolso para se eleger parlamentar, em dois cheques de R$ 50 mil, em sua receita total de R$ 447,7 mil.
A ajuda dos pais também conta no momento dos repasses do partido quando ele está no comando da legenda. Maria Victória, por exemplo, recebeu R$ 12,9 mil da campanha de Ricardo Barros, mas teve mais de 80% de sua arrecadação de R$ 1,08 milhão vindos do diretório nacional do PP, legenda presidida por seu pai no Paraná. O diretório nacional destinou à campanha da novata R$ 882,4 mil.
Fato semelhante ocorre com Felipe Francischini. A arrecadação total do deputado eleito pela primeira vez soma R$ 461,9 mil, dos quais R$ 267,6 mil foram destinados pelo diretório estadual, dirigido por seu pai. Fernando ainda repassou para as contas do filho R$ 121 mil em valores estimados.

AS CONTAS


Maior arrecadador, Ratinho também teve a campanha mais cara entre os eleitos. Foram gastos mais de R$ 3,4 milhões, passando a arrecadação em R$ 336,5 mil – o valor, conforme as regras eleitorais, precisa ser assumido e pago pelo partido. Caso contrário, o candidato pode ter as contas desaprovadas pela Justiça Eleitoral.
Comparando as despesas declaradas, cada um dos 300.928 votos conquistados custaram, em média, R$ 11,39 – e ajudaram a levar outros 11 do mesmo partido para a AL.
Ney Leprevost (PSD) vem em segundo lugar, com R$ 2,1 milhões arrecadados e gastos praticamente idênticos, com saldo positivo de R$ 60,69. Em média, cada voto custou R$ 29,58 ao candidato.
No fim da fila vem Márcio Pacheco (PSL), cuja campanha custou R$ 54,9 mil. Ele teve o segundo voto "mais barato", a um custo unitário de R$ 2,21. Mas quem investiu menos para conquistar seus eleitores foi Tercílio Turini (PPS), que contabilizou receitas e despesas de R$ 100,1 mil. Neste caso, cada um dos seus 47.023 votos saiu por R$ 2,13.

NO VERMELHO


Quatro deputados estaduais eleitos gastaram mais do que arrecadaram para suas campanhas. Além de Ratinho, também passaram do arrecadado os eleitos Gilberto Ribeiro (PSB) em R$ 0,06, Gilson de Souza (PSC) em R$ 0,41 e Guto Silva (PSC) em R$ 8,6 mil.


Imagem ilustrativa da imagem Campanhas de 'herdeiros' à AL contaram com ajuda dos pais
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