Campanha termina com morte em Curitiba
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Da Redação 
A antevéspera da campanha eleitoral foi marcada por morte, espancamento, brigas, prisões e confusões em praticamente todas as regiões do Paraná. O clima esquentou com a proximidade da votação e os ânimos se acirraram, levando a Polícia e a Justiça a intensificarem a fiscalização e agirem para evitar problemas ainda maiores.
Em Curitiba, terminou em morte o comício do vereador Custódio da Silva (PFL), anteontem à noite. O menor M.A.M.S., 17 anos, entrou no Centro de Lazer e Recreação da Vila Nossa Senhora da Luz, onde estava sendo realizado o comício, atirando diversas vezes contra office-boy Luciano Domingos, de 22 anos. Luciano foi baleado na mão e no rosto, e morreu na hora. O homicídio aconteceu por volta das 21h40.
Segundo informações da Delegacia de Homicídios, o som do tiro provocou correria e pânico no público que assistia ao evento. Em depoimento à polícia, amigos do autor do disparo, no entanto, afirmaram que o crime não tinha nenhuma ligação com política. M.A.M.S teria matado o office-boy por vingança depois de ter perdido a namorada para Luciano. Testemunhas também afirmaram que ambos eram usuários de drogas. Eles moravam na Vila Nossa Senhora da Luz.
Londrina também registrou uma morte durante comício da candidata a Câmara de Vereadores Sandra Graça (PSB). Foi na semana passada, quando o servente de pedreiro Davi Henrique Pontes, de 21 anos, foi assassinado com um tiro no jardim Maracanã (zona Oeste).
A violência também marcou com morte a campanha na região Sudoeste. Em Barra Bonita, na divisa dos municípios de Campo Erê e Marmeleiro (11 km de Francisco Beltrão), a polícia divulgou ontem que não tem pistas dos dois acusados de terem matado o candidato a vice-prefeito do município de Campo Erê (SC), Astor Schiening, 44 anos.
Ele foi assassinado com dois tiros na tarde de quarta-feira, depois de uma reunião política, na localidade de Barra Bonita, divisa dos municípios de Campo Erê e Marmeleiro. O candidato já havia sido vereador na legislatura passada e agora estava concorrendo a vice na chapa de Normélio Danelus, da coligação do PDT e PPB.
Segundo testemunhas, dois homens estranhos se aproximaram e atiraram, fugindo na sequência. Ele morreu no local. O corpo foi encaminhado para o IML do município de São Lourenço DOeste. A polícia da cidade de Marmeleiro está investigando o caso, pois o assassinato ocorreu a sete quilômetros da divisa com aquele município. De acordo com a polícia de Campo Erê, a campanha estava em clima tenso.
Em Ponta Grossa, o prefeito e candidato à reeleição, Jocelito Canto (PSDB), brigou com o candidato a vereador pelo PMDB, Rogério Quadros. A troca de agressões aconteceu ontem pela manhã, por volta das 8 horas, em frente ao pátio de máquinas da prefeitura, no bairro Oficinas, na periferia da cidade.
Estava fazendo corpo a corpo entre os funcionários municipais quando o prefeito desceu de um Santana verde e partiu para cima de mim. Ele me deu um soco no rosto, que derrubou meus óculos, e também revidei, contou Quadros, que tenta se reeleger para o quinto mandato consecutivo. O candidato disse que, antes de agredi-lo, Jocelito quis saber por que ele teria falado mal do prefeito.
Nunca fiz isso, só falei a verdade que o Brasil inteiro sabe, ironizou Quadros. Ele afirmou que Jocelito estava desequilibrado e com problemas de ordem emocional e psíquica quando o agrediu. O vereador disse que não está com medo de receber outras represálias do prefeito de Ponta Grossa. Não vai ser um aventureiro que destruiu a minha cidade que vai me destruir. Quadros registrou queixa na Polícia Civil contra Jocelito.
Ontem à Folha tentou entrevistar o prefeito, mas ele não retornou os telefonemas da reportagem. Foram deixados dois recados (um no meio da tarde e, o outro, as 18h50) na secretária eletrônica do telefone celular de um de seus assessores, e também com as secretárias do gabinete do prefeito. (Participaram Michele Muller, Rubens Burigo Neto, de Curitiba e Heloísa Inocêncio, de Pato Branco)


