O governo lança a partir de amanhã uma campanha na mídia para convencer a população da legalidade dos protocolos de instalação das montadoras Renault, Chrysler e Audi/Volkswagen, no Estado. A publicidade enfatiza que os contratos foram transparentes e que por isso estão sendo abertos a qualquer pessoa. Os documentos oficiais dos acordos, que foram solicitados pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, continuarão sendo mantidos em sigilo.
A divulgação da propaganda, intitulada ‘‘Sabe o que há por trás dos protocolos que o Paraná assinou com as montadoras?’’, é uma tentativa de responder às críticas do senador Roberto Requião (PMDB) e do ex-governador e presidente da Telepar, Álvaro Dias, que estão em franca campanha no interior do Estado para a sucessão estadual. Os senadores Requião e Osmar Dias (irmão de Álvaro) têm insistido na abertura dos protocolos, em seus discursos e entrevistas feitos nos últimos meses.
Segundo o governo, o prazo de quatro anos de prorrogação do pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi o único incentivo oferecido às empresas. A dilação do pagamento está prevista na Lei Aníbal Khury, aprovada em janeiro de 1992. Após o prazo previsto, o Estado utilizará parte do imposto recolhido para financiar futuros aumentos de produção das montadoras.
O governo também mostra que os protocolos desobrigam o Estado a desembolsar dinheiro para colocar nas empresas, pois as montadoras serão financiadas com o próprio dinheiro que elas pagam ao Tesouro estadual. Parte do ICMS gerado por elas será reaplicado diretamente nas próprias montadoras, ao invés de passarem para o caixa do governo.
O documento que detalharia os protocolos acaba por enfatizar que o governo está mudando o perfil econômico do Estado, que passa de agrícola para industrial. A maior parte do espaço é destinada a mostrar que 480 mil empregos diretos e indiretos estão sendo gerados no Estado com a atração das novas indústrias.
O governo também assegura que apenas um terço das indústrias que se instalam no Estado fez opção pela região metropolitana de Curitiba. O restante está sendo direcionado para o interior. O volume total de dinheiro que está entrando no Paraná é de R$ 9 bilhões, conforme o governo, sendo que as montadoras representam 25% do total.

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