Patrícia Gomes, de 37 anos, foi casada por 15 anos com Ciro Gomes, dos 19 aos 34. Em 1997, o casal se separou. Ele namora a atriz Patrícia Pillar. Ela prefere não falar sobre namorados. Patrícia Gomes disputa este ano a Prefeitura de Fortaleza (CE), o cargo que Ciro ocupou de 1988 a 90. Os dois voltaram a ter uma convivência diária, já que ele coordena a campanha. A proximidade não incomoda Patrícia que diz que eles têm uma relação de muito carinho, amizade e respeito. ‘‘Ciúmes? Isso já passou’’, resume ela, sobre o ex-marido.
‘‘Ciro foi meu companheiro. Hoje é um homem público conhecido em todo o País. Tenho orgulho de ter feito uma vida com ele; de ele ser pai dos meus filhos’’, diz. Sobre o cerco da mídia e as especulações sobre a vida pessoal de cada um deles, Patrícia acha natural a curiosidade, mas com limites. ‘‘Fofoca é muito chato. Nem tanto por mim, mas pelos meus filhos que são crianças e merecem ser felizes.’’
Numa cidade onde uma mulher divorciada é chamada de ‘‘largada’’, Patrícia afirma que não sente preconceito. Afinal, em 1985, a divorciada Maria Luiza Fontenelle foi eleita prefeita. Além de ser do PT, a primeira vitória da esquerda na terra dos coronéis, ela levou o ex e o então marido para sua administração e foi chamada de ‘‘dona Flor’’, numa referência ao personagem de Jorge Amado. ‘‘A Maria Luiza quebrou barreiras e preconceitos, para nós mulheres’’, diz.
Mesmo os adversários de Patrícia reconhecem, reservadamente, que o divórcio não a deixou com a imagem de ‘‘coitadinha’’. ‘‘Ela passa a idéia de uma mulher de coragem’’, diz um estrategista da oposição. Os opositores prometem não falar da vida pessoal dela.
Usando jeans e camisa, oscilando entre tênis para a caminhadas ou comícios e salto alto para outros compromissos, Patrícia faz o estilo despojada. Na época de primeira-dama, não gostava de ser vista como ‘‘dondoca’’, em sua própria definição. Vestia-se formalmente só quando o cerimonial pedia. Na bolsa, carrega cigarros e pastilha de gengibre, mas nem sempre batom.
Com 1,68m e 58 kg, Patrícia não faz ginástica, porque ‘‘não é sua praia’’, mas volta e meia fecha a boca, principalmente quando come chocolates demais. Escondida dos filhos, ‘‘para não ter de dividir’’, ela devora uma caixa de uma vez, enquanto assiste a um filme na TV.
Patrícia nasceu em Sobral, mas mudou-se, com quatro anos, para o Rio de Janeiro e, depois, Belo Horizonte. Só voltou à terra natal após a morte do pai, quando já tinha 18 anos. Passava as férias em Sobral e foi lá que conheceu Ciro, um paulista de Pindamonhangaba. Pouco antes do casamento, na faculdade, ela militava no PC do B, embora negue filiação. Ele, seguindo a família, era do PDS. Com o casamento e os filhos, ela demorou a concluir o curso de Pedagogia. ‘‘Sempre estive muito envolvida na política junto com Ciro. Fiz isso com prazer’’, diz Patrícia.
O interesse por política, ela afirma ter herdado do avô, Plínio Pompeu, prefeito de Fortaleza em 1938 e deputado constituinte em 46. ‘‘Ele era uma pessoa boa, meiga, mas forte’’, lembra. Antes de começar sua carreira sozinha, ocupou cargos ligados à área social nos governos do então marido, quando diz ter conhecido detalhadamente Fortaleza e seus muitos problemas.
Em 1996, foi eleita vereadora com quase 22 mil votos. Por decisão mais do PPS do que dela, Patrícia disputou e ganhou uma vaga de deputada estadual dois anos atrás, com quase 79 mil votos. Eleita, começou a discussão no partido sobre a candidatura à prefeitura.
‘‘Talvez tenha sido a decisão mais importante da minha vida’’, afirma Patrícia. Mais do que ouvir ‘‘todo mundo’’, ela quis a opinião dos três filhos - Lívia, de 16 anos, Ciro, de 15 e Yuri, de 11. Foram seis meses de dúvidas sobre a responsabilidade a ser assumida e o impacto da decisão em sua vida pessoal. Os filhos, pela experiência vivida com o pai, temiam a distância que passariam a ter da mãe.
Os três, segundo o relato de Patrícia, entenderam que tanto o pai como a mãe tinham a política como vocação. Lívia e Ciro dizem aos pais que não querem entrar na política, ao que o menor responde: ‘‘Vai sobrar para mim.’’ Apesar da compreensão, Patrícia, repetindo o discurso de outras mães-profissionais, diz que sente remorso em não ficar perto dos filhos. Sabe que, se eleita, deixará de ir ao supermercado com eles – algo que os quatro adoravam fazer juntos.
Além de reaproximar Ciro de Patrícia, a eleição em Fortaleza é peculiar no aspecto político. A candidata do PPS, que lidera as pesquisas, concentra os debates com seu principal concorrente, o prefeito Juraci Magalhães (PMDB), apesar de ter no palanque o governador Tasso Jereissati (PSDB), aliado de FHC, e o ex-marido, ferrenho crítico do presidente tucano. ‘‘A disputa não é pela Presidência; é pela prefeitura’’, diz, desconversando.

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