Campanha reaproxima Ciro da ex-mulher
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sábado, 12 de agosto de 2000
Rita Tavares Agência Estado De Fortaleza 
Patrícia Gomes, de 37 anos, foi casada por 15 anos com Ciro Gomes, dos 19 aos 34. Em 1997, o casal se separou. Ele namora a atriz Patrícia Pillar. Ela prefere não falar sobre namorados. Patrícia Gomes disputa este ano a Prefeitura de Fortaleza (CE), o cargo que Ciro ocupou de 1988 a 90. Os dois voltaram a ter uma convivência diária, já que ele coordena a campanha. A proximidade não incomoda Patrícia que diz que eles têm uma relação de muito carinho, amizade e respeito. Ciúmes? Isso já passou, resume ela, sobre o ex-marido.
Ciro foi meu companheiro. Hoje é um homem público conhecido em todo o País. Tenho orgulho de ter feito uma vida com ele; de ele ser pai dos meus filhos, diz. Sobre o cerco da mídia e as especulações sobre a vida pessoal de cada um deles, Patrícia acha natural a curiosidade, mas com limites. Fofoca é muito chato. Nem tanto por mim, mas pelos meus filhos que são crianças e merecem ser felizes.
Numa cidade onde uma mulher divorciada é chamada de largada, Patrícia afirma que não sente preconceito. Afinal, em 1985, a divorciada Maria Luiza Fontenelle foi eleita prefeita. Além de ser do PT, a primeira vitória da esquerda na terra dos coronéis, ela levou o ex e o então marido para sua administração e foi chamada de dona Flor, numa referência ao personagem de Jorge Amado. A Maria Luiza quebrou barreiras e preconceitos, para nós mulheres, diz.
Mesmo os adversários de Patrícia reconhecem, reservadamente, que o divórcio não a deixou com a imagem de coitadinha. Ela passa a idéia de uma mulher de coragem, diz um estrategista da oposição. Os opositores prometem não falar da vida pessoal dela.
Usando jeans e camisa, oscilando entre tênis para a caminhadas ou comícios e salto alto para outros compromissos, Patrícia faz o estilo despojada. Na época de primeira-dama, não gostava de ser vista como dondoca, em sua própria definição. Vestia-se formalmente só quando o cerimonial pedia. Na bolsa, carrega cigarros e pastilha de gengibre, mas nem sempre batom.
Com 1,68m e 58 kg, Patrícia não faz ginástica, porque não é sua praia, mas volta e meia fecha a boca, principalmente quando come chocolates demais. Escondida dos filhos, para não ter de dividir, ela devora uma caixa de uma vez, enquanto assiste a um filme na TV.
Patrícia nasceu em Sobral, mas mudou-se, com quatro anos, para o Rio de Janeiro e, depois, Belo Horizonte. Só voltou à terra natal após a morte do pai, quando já tinha 18 anos. Passava as férias em Sobral e foi lá que conheceu Ciro, um paulista de Pindamonhangaba. Pouco antes do casamento, na faculdade, ela militava no PC do B, embora negue filiação. Ele, seguindo a família, era do PDS. Com o casamento e os filhos, ela demorou a concluir o curso de Pedagogia. Sempre estive muito envolvida na política junto com Ciro. Fiz isso com prazer, diz Patrícia.
O interesse por política, ela afirma ter herdado do avô, Plínio Pompeu, prefeito de Fortaleza em 1938 e deputado constituinte em 46. Ele era uma pessoa boa, meiga, mas forte, lembra. Antes de começar sua carreira sozinha, ocupou cargos ligados à área social nos governos do então marido, quando diz ter conhecido detalhadamente Fortaleza e seus muitos problemas.
Em 1996, foi eleita vereadora com quase 22 mil votos. Por decisão mais do PPS do que dela, Patrícia disputou e ganhou uma vaga de deputada estadual dois anos atrás, com quase 79 mil votos. Eleita, começou a discussão no partido sobre a candidatura à prefeitura.
Talvez tenha sido a decisão mais importante da minha vida, afirma Patrícia. Mais do que ouvir todo mundo, ela quis a opinião dos três filhos - Lívia, de 16 anos, Ciro, de 15 e Yuri, de 11. Foram seis meses de dúvidas sobre a responsabilidade a ser assumida e o impacto da decisão em sua vida pessoal. Os filhos, pela experiência vivida com o pai, temiam a distância que passariam a ter da mãe.
Os três, segundo o relato de Patrícia, entenderam que tanto o pai como a mãe tinham a política como vocação. Lívia e Ciro dizem aos pais que não querem entrar na política, ao que o menor responde: Vai sobrar para mim. Apesar da compreensão, Patrícia, repetindo o discurso de outras mães-profissionais, diz que sente remorso em não ficar perto dos filhos. Sabe que, se eleita, deixará de ir ao supermercado com eles algo que os quatro adoravam fazer juntos.
Além de reaproximar Ciro de Patrícia, a eleição em Fortaleza é peculiar no aspecto político. A candidata do PPS, que lidera as pesquisas, concentra os debates com seu principal concorrente, o prefeito Juraci Magalhães (PMDB), apesar de ter no palanque o governador Tasso Jereissati (PSDB), aliado de FHC, e o ex-marido, ferrenho crítico do presidente tucano. A disputa não é pela Presidência; é pela prefeitura, diz, desconversando.


