Campanha publicitária vao custar R$ 8 mi
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 2004
Agência Folha 
Brasília - A campanha publicitária que o governo vai veicular nos meios de comunicação nos próximos dias para tentar reverter a repercussão negativa do caso Waldomiro Diniz vai custar R$ 8 milhões, segundo o ministro Luiz Gushiken (Comunicação).
Gushiken nega que o motivo do lançamento da campanha seja a imagem de paralisia que o governo tem passado à opinião pública desde que o escândalo veio a público, em 13 de fevereiro. ''Essa campanha faz parte de um procedimento de rotina. Eu tenho uma secretaria que se responsabiliza pela comunicação de governo. Nós temos três agências de publicidade e devemos apresentar para a sociedade periodicamente o que o governo faz'', disse.
O governo tem uma verba de R$ 114 milhões para gastar com publicidade institucional em 2004. Até o dia 5 de março, havia gasto cerca de R$ 1,1 milhão. A campanha de R$ 8 milhões representa 7% da verba total da área institucional. O governo tem ainda uma verba em torno de R$ 100 milhões para a chamada publicidade de utilidade pública divulgar campanhas de vacinação, por exemplo , além da verba publicitária das estatais.
Segundo ele, a campanha vai focar principalmente o Bolsa-Família resultado da unificação de programas de transferência de renda e programas na área de agricultura familiar. Questionado se os discursos do presidente não tinham mais eficiência, já que essas ações haviam sido ressaltadas por ele na semana passada, Gushiken afirmou que uma coisa não elimina a outra.
''Eu acho que o importante é esclarecer adequadamente cada cidadão deste país o que o governo faz com o dinheiro que arrecada. Se o presidente fala, nem por isso está eliminada a necessidade da estrutura do governo, que é uma estrutura de publicidade, de também informar a sociedade informações boas, positivas, eu penso que a sociedade deve receber positivamente.'' Segundo o ministro, a campanha publicitária vai informar à população que o programa Bolsa-Família já atinge mais de 3 milhões de famílias e que o valor médio dos benefícios, que era de R$ 22 até 2002, hoje mais do que duplicou.
''Nós queremos informar para a sociedade que até o final do ano haverá uma ampliação significativa dessa transferência de renda. Queremos mostrar também que houve na área da agricultura familiar um processo de ampliação do crédito em níveis nunca existentes no país. Enfim, vários temas de governo que eu achei que era hora de apresentar à sociedade de uma forma mais consistente'', disse.
Gushiken apresentou ontem reunião no Palácio da Alvorada uma pesquisa qualitativa (com grupos específicos de entrevistados com perfil parecido de renda e escolaridade) que mostra que o caso Waldomiro Diniz chegou ao ''povão'', segundo descrição de um ministro presente. Ou seja, o caso Waldomiro agora é mais conhecido nos setores da população de menor escolaridade e de menor renda.
Pesquisa Datafolha do início deste mês mostrou que Lula foi preservado e que o ministro José Dirceu (Casa Civil) foi atingido pelo caso Waldomiro. A pesquisa qualitativa de Gushiken, diferente da do Datafolha (quantitativa), aponta para um início de desgaste de Lula e do próprio governo.


