Após as agendas na Vila Olímpica e nas obras de rebaixamento da linha férrea, Lula seguiu para um almoço oferecido na cooperativa Cocamar e do qual participaram nomes aliados de Dilma Rousseff (PT), no Paraná, à sucessão presidencial, tais como o candidato ao Governo Osmar Dias (PDT) e os postulantes ao Senado pela coligação encabeçada pelo pedetista, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).
Apesar do aparato oficial da Presidência, o tom - apenas Lula, Osmar e o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, discursaram - político-eleitoral deu o viés do evento. Ao final, pouco antes de deixar o local sem falar com imprensa, o presidente foi direto: ''Não temos que ficar com dúvidas na hora de votar, e eleitor, nesse aspecto, tem que ser como o batedor de pênalti que marca o gol. E Gleisi e Requião vão ajudar a companheira Dilma a não ter o sofrimento que eu tive no Senado''.
Conselhos nessa reta final da campanha foram dados também à militância: ''A militância tem que trabalhar a capacidade de convencimento, faltam só nove (dez) dias, (o eleitor) não pode ter dúvidas''.
O evento foi aberto apenas a repórteres fotográficos e cinematográficos, durante pouco menos de uma hora. Os discursos foram acompanhados do lado de fora graças a caixas de som que, volta e meia, anunciavam também o aviso para que os presentes ao almoço por adesão à campanha pedetista não se esquecessem do pagamento da taxa de R$ 50. Pouco antes de pedir o empenho dos militantes, Lula falou diretamente aos representantes do agronegócio, citou mais números de investimentos, como o dos R$ 116 bilhões do Plano Safra, e fechou: ''Precisamos saber qual o futuro que queremos. A situação está boa, vocês não precisam me dizer, eu sei: empresários nunca ganharam tanto dinheiro como no meu governo, e bancos também, e quero que ganhem, porque, se não ganharem e quebrarem, o prejuízo seria infinito''.
Após o almoço, Lula seguiu para São Paulo, onde anuncia hoje a capitalização de pelo menos US$ 70 bilhões da Petrobras por conta do Pré-Sal - ''a maior capitalização da história da humanidade'', discursou. Para coletiva, ficou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, nome cotado para assumir a Casa Civil em um eventual governo Dilma. Indagado sobre a participação do presidente em um ato de campanha, com à máquina do governo federal à disposição, Bernardo - que está em férias - reagiu: ''Ele está fora de expediente, é horário de almoço (Lula deixou o local perto das 16 horas), mas ele é um cidadão normal, não vejo abuso de poder em declarar apoio, ele é livre para isso''. Sobre os motivos de por que, então, o presidente não ter se licenciado para sair em campanha pela ex-ministra, ironizou: ''Isso era o que o (presidenciável José) Serra (PSDB) queria. (J.G.)

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