Campanha pelo porto já tem 12 mil assinaturas
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domingo, 31 de julho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Movimento ''O Porto é Nosso'' chegou neste fim-de-semana a Paranaguá, no litoral paranaense. A campanha, que foi lançada inicialmente em Curitiba e Antonina, pretende arrecadar assinaturas contra o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) de autoria do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) que susta o convênio entre a União e o governo do Paraná. O convênio dá direito ao Estado de explorar e a administrar os Portos de Antonina e Paranaguá. Até ontem, o abaixo-assinado que será encaminhado para o Senado Federal contava com 12 mil assinaturas.
O projeto não fala em federalização dos portos, mas sinaliza com uma intervenção federal de 90 dias para auditorias que apontariam os supostos erros administrativos cometidos pela direção dos Portos de Paranaguá e Antonina. Erros que são contestados pelos integrantes do governo. O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, aposta que o PDL não seja aprovado no Senado porque não daria para se ''ignorar as melhorias que estão sendo realizadas nos portos paranaenses''.
Para o governador Roberto Requião (PMDB) está claro que o a intenção de Barros é fortalecer o projeto de privatização dos portos brasileiros. ''A federalização dos portos paranaenses de Paranaguá e Antonina é o início de um projeto de privatização que pode levar o Brasil a perder para interesses privados o controle de uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias brasileiras. Estamos organizando o movimento definitivo de resistência pelo porto público. O porto é do Paraná, é do Brasil. E essa é uma luta do Governo do Estado contra alguns interesses que não são públicos, mas da cobiça de alguns grupos privados. A federalização dos portos e o fim da autarquia significarão a demissão em massa de funcionários e isso não vai ocorrer aqui porque o Paraná tem governo'', discursou Requião.
Cerca de 850 pessoas participaram do lançamento do Movimento O Porto é Nosso, em Paranaguá. O empresário Darci Piana, presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), disse que estava preocupado porque hoje o Porto de Paranaguá teria as menores taxas de embarque e desembarque do País. ''Em Paranaguá a taxa é de US$ 1,17 enquanto nos portos privados chega a US$ 7,00. A Federação do Comércio defende que a administração dos portos deve ser controlada pelo Governo do Paraná porque o Governo Federal não tem competência para gerenciá-la'', disse Piana.
O superintende da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, acredita que o projeto é uma retaliação contra ele (Eduardo) que teria iniciado o processo de moralização dos portos paranaenses. Ele negou que tenha combatido a exportação de organismos geneticamente modificados pelo porto. Disse que nunca chegou qualquer caminhão com soja geneticamente modificada, segregada e rotulada para ser exportada, conforme prevê a legislação federal. Eduardo disse ainda que conseguiu sanear o caixa da Appa e tem R$ 200 milhões para investir nos projetos do governo do Estado.


