Rio A grande maioria dos prefeitos que têm a opção de tentar a reeleição vai concorrer, em outubro, a um segundo mandato. Das 26 capitais brasileiras, 13 já têm prefeitos reeleitos - impedidos, portanto, de concorrer mais uma vez. Nas 13 restantes, apenas um, João Verle (PT), de Porto Alegre, não será candidato. Embora alguns deles não tenham ainda anunciado a decisão, é quase certo que todos têm intenção de entrar na disputa.
''A reeleição se incorporou ao repertório político e ao projeto político dos governadores e prefeitos. Governadores e prefeitos assumem claramente com a perspectiva de oito anos de poder'', diz o cientista político Carlos Eduardo Sarmento, da Fundação Getúlio Vargas.
Sarmento e outros pesquisadores ressalvam que ainda é cedo para fazer uma análise dos efeitos da reeleição na política e na divisão do poder no País. ''A reeleição foi aprovada em 1997 e vigorou em 1998. Para a história do País é muito pouco. Em toda a história republicana o princípio da reeleição foi proibido, bloqueado', lembra o professor da PUC do Rio Cesar Romero Jacob, especialista na elaboração de atlas baseados nos resultados eleitorais.
De qualquer maneira, a primeira eleição municipal com possibilidade de recondução ao cargo, que ocorreu em 2000, deixou algumas lições. Cesar Romero cita uma delas: ''Ter boa avaliação não quer dizer que o prefeito vá ser reeleito.'' Os melhores exemplos disso ocorreram no Rio de Janeiro e no Recife. Bem avaliados nas pesquisas de opinião, o carioca Luís Paulo Conde e o recifense Roberto Magalhães, ambos pefelistas na época, tentaram continuar no poder, chegaram ao segundo turno e perderam para os concorrentes Cesar Maia (ex-PTB, hoje no PFL) e João Paulo Lima e Silva (PT).
Dezesseis (80%) dos 20 prefeitos de capitais que tentaram reeleição em 2000 foram reconduzidos ao cargo. Seis preferiram não disputar, entre eles Celso Pitta, de São Paulo, envolvido em denúncias de desvios de verbas e improbidade. Dos 16 reeleitos, três não estão mais no poder: Wilma Faria (PSB) foi eleita governadora do Rio Grande do Norte em 2002, Jackson Lago (PDT) concorreu ao governo do Maranhão, mas foi derrotado e Célio de Castro afastou-se por problemas de saúde e passou a prefeitura de Belo Horizonte ao antigo vice, Fernando Pimentel (PT). Os três substitutos tentarão a reeleição.
Nas eleições de 2000, 41% dos prefeitos foram reeleitos. O Perfil dos Municípios Brasileiros do IBGE indica que , entre os grandes partidos, o PSDB, na época legenda do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, teve o maior percentual de prefeitos reeleitos (47,8%), seguido pelo PFL (45,7%). O PT teve 29,5% de reconduzidos ao cargo.
''A reeleição foi uma mudança significativa na cultura política. Teve impacto imediato ao beneficiar o presidente Fernando Henrique Cardoso e se estendeu por cascata. Com o tempo, a gente vai ver como o eleitorado se comporta, se continua no deslumbramento de que o mandato de quatro anos é pouco'', diz Sarmento.

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