Campanha nacional pede: 'Não vote em mensaleiro'
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Recuse-se a votar em mensaleiros e também em sanguessugas e outros implicados em escândalos políticos, candidatos ou não à reeleição. A proposta, com o sugestivo e direto slogan ''Não vote em mensaleiro'', foi lançada esta semana em campanha promovida pela organização não-governamental (ONG) Transparência Brasil.
A campanha começou pela internet, em mailings e no endereço eletrônico da ong, o www.transparencia.org.br. Em um primeiro momento, a iniciativa recomenda ao eleitor que não vote em políticos cassados ou sob investigação. Entre os recentes escândalos lembrados pela organização e usados de argumentos de repúdio está o suposto pagamento a deputados da base aliada ao governo Lula, situação denunciada pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e conhecida como mensalão. Denúncias e confissões de caixa 2 eleitoral, bem como o esquema de compra superfaturada de ambulâncias - a ''máfia das sanguessugas'' - também entram no rol de motivos elencados pela ong.
De acordo com o diretor executivo da Transparência Brasil, Cláudio Abramo, a campanha quer alertar o cidadão para o cuidado no momento de decidir pelo futuro da democracia brasileira. ''Evidentemente que não vamos atingir milhões de pessoas, mas vamos tentar multiplicar as ações para que outros as adotem e coíbam o voto em desonestos ou suspeitos de desonestidade. Mesmo aqueles que ainda respondem processo, cuidado: é melhor esperar o julgamento'', recomenda.
Conforme Abramo, que é jornalista, ''não se trata de um pré-julgamento'': ele faz uma analogia justamente com as promessas de campanha. ''Essa é uma atitude que o eleitor deve tomar da mesma maneira que o político quer que ele acredite em promessas: são todas virtuais, mas ele deposta o voto de confiança. Isso deve considerar também a espera pelo julgamento de um suspeito (de corrupção)'', sustenta.
O próximo passo da campanha ''Não vote em mensaleiro'' deve ser a publicação de uma lista com o histórico de todos os candidatos à reeleição a data certa vai depender das convenções partidárias, que vão até 30 de junho, e das homologações das candidaturas por parte dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). ''Vamos considerar não só os candidatos à reeleição, como também de alguns nomes famosos que concorrerão. Pode ser até ministro, por exemplo'', resumiu.


