Para o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do Paraná (Sindepol), Jairo Estorilio, a ‘‘campanha ditatorial do MP contra a PEC criou uma crise institucional’’ entre Ministério Público e Polícia. Segundo ele, os argumentos usados por promotores e procuradores contra a aprovação da matéria no Congresso Nacional são ‘‘falaciosos’’. ‘‘Falam da inamobilidade do promotor (não pode ser removido em meio a investigação), então basta aprovar lei no Congresso para que delegados também tenham essa garantia.’’
Ele também ataca outra tese do MP. ‘‘Dizem que só porque podem oferecer denúncia, têm o direito de investigar, mas isso é um absurdo, pois, se for assim, o magistrado, que dá a sentença, vai poder fazer denúncia.’’ Embora o objetivo da proposta que tramita na Câmara dos Deputados seja promover uma alteração no texto constitucional, Estorilio disse que a Constituição é clara ao estabelecer as competências de investigação. ‘‘Mas o MP não obedece, então é preciso explicitar. E isso a PEC vai fazer, dando exclusividade à polícia.’’
Estorilio também critica o que chama de ‘‘postura seletiva’’ do MP. ‘‘Gastamos 99% do tempo atendendo demandas diárias da população, então, se vão investigar, que investiguem tudo, a mulher que apanha do marido, furtos.’’ Para ele, é preciso dar mais estrutura para a polícia. ‘‘Aí é uma questão de política de governo, a criação de núcleos especializados de repressão, como já temos hoje.’’ Ele citou as recentes investigações e prisões feitas no Hospital Evangélico de Curitiba, que foram encabeçadas por núcleos especializados da polícia.
Diante da mobilização nacional do MP, as entidadas que representam a polícia devem organizar eventos para o mês de maio em defesa da mudança na lei. ‘‘Está faltando um debate democrático com a população. Tem muita gente que não tem nem ideia do que é a PEC e queremos que as pessoas entendam não com informações apenas de um lado.’’ (E.F.)

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