Campanha expõe vidraça dos candidatos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2002
Luciana Pombo Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os dois principais candidatos ao governo do Estado, senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PDT), têm telhado de vidro. Dois graves episódios envolvendo a Polícia Militar marcaram suas administrações, que foram de 1987 a 1990, e de 1991 a 1994, respectivamente. O confronto da PM com um grupo de professores, em frente ao Palácio Iguaçu em 1988, desgatou o governo Alvaro. A morte de um líder sem-terra em 1993, no interior do Estado, o de Requião. Os acontecimentos já estão sendo ressuscitados pelos adversários dos dois mais fortes candidatos nestas eleições.
Ontem, o caso Teixeirinha voltou à cena durante uma audiência pública de professores estaduais na Assembléia Legislativa. Cerca de 40 pessoas empunharam 18 faixas pedindo ''Justiça'' pela morte do líder sem-terra. Entre as inscrições das faixas destacaram-se três: ''Quem mandou matar o Teixeirinha?'', ''Família de Teixeirinha exige Justiça'' e ''Tribunal da OEA (Organização dos Estados Americanos) condenou os mandantes do assassinato de Teixeirinha''. Na semana passada, a APP-Sindicato, entidade que representa os professores no Estado, anunciou interesse em promover um debate entre os candidatos para falar sobre educação, no dia 15. Alvaro Dias foi convidado e confirmou presença.
O confronto da PM com os professores aconteceu no dia 30 de agosto de 1988. Cerca de 10 mil professores, pais, alunos e funcionários da Educação faziam uma passeata que saiu da Praça Rui Barbosa em direção ao Palácio Iguaçu. Na frente da prefeitura houve o primeiro incidente, e o carro de som da APP que abria o protesto foi parado. O professor que dirigia o carro teve seus olhos atingidos por gás lacrimogênio. A passeata seguiu em frente e ao chegar ao Palácio os policiais já aguardaram com cães e cassetetes. A cavalaria também estava presente.
A professora Isolde Andreata, presidente da APP na época, conta que a certa altura foi chamada para negociação. Porém, o cordão de isolamento de policiais impediu que os outros integrantes da negociação também avançassem. ''Eu me neguei a entrar sozinha no Palácio e naquele momento começaram a ser lançadas as bombas'', relembra. Segundo ela foram sete bombas que deixaram dezenas de manifestantes feridos.
Já o assassinato do líder sem-terra Diniz Bento da Silva ocorreu em março de 1993. Cerca de 300 sem-terra invadiram uma área da empresa agroindustrial Beledelli, em Campo Bonito, oeste do Estado, em meados de 1991. Em março de 1993, três policiais militares foram mortos pelo grupo sem-terra numa tentativa de desocupação da área. O líder do acampamento, conhecido como Teixeirinha, começou a ser procurado por uma equipe especial composta por policiais civis e militares. Ele foi executado no dia 8 de março. A PM alegou que o líder foi morto numa confusão, depois de resistir à prisão.
O protesto relembrando o Caso Teixeirinha foi tumultuado. Professores, que também protestavam, mas por outros motivos (leia mais na Folha Cidade), pediram que os organizadores do movimento se retirassem. O organizador do protesto, identificado apenas como Ismael, não se intimidou. Levou as faixas para fora do plenarinho e as fixou do lado de fora da Assembléia, de frente ao Palácio Iguaçu.(Com Leandro Donatti)


