Candidatos apelam para a doutrina maniqueísta para conseguir o voto dos eleitores no segundo turno em Londrina. Enquanto na maioria das cidades brasileiras que terão o segundo turno das eleições as campanhas se concentram no discurso da renovação (oposição) e da continuidade (reeleição), em Londrina, os programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão têm explorado o bem contra o mal.
Uma semana após reiniciada a veiculação dos programas eleitorais, as propostas e os programas de governo, que deram o tom ao primeiro turno, cederam espaço a discursos maniqueístas doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal. Os programas versam desde a ética na política, competência, probidade administrativa, até ataques pessoais. Também não faltaram citações de trechos bíblicos, tanto na campanha de Nedson Micheleti (PT), quanto na de Antonio Belinati (PSL), justificando o pedido de voto dos eleitores.
''Este espaço (programas eleitorias) que deveria ser pedagógico, de apresentação de propostas, de programas de governo, tocando em questões fundamentais como desenvolvimento econômico, educação, ciência e tecnologia, ficam em segundo plano. Há uma tendência muito clara de reducionismo do debate. Tem uma luta entre o bem e o mal e os candidatos tendem a ir para um ataque recíproco. Quem perde com isso é a política e o eleitor que não tem condições claras de definir o perfil político e ideológico que estão em jogo'', afirmou o professor de sociologia política da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina e da Unifil, Cézar Bueno.
Na análise do professor, a história política recente da cidade, como a cassação do mandato de Belinati, que ainda responde a ações na Justiça por desvio de dinheiro dos cofres públicos municipais, favorecem este direcionamento da campanha. ''Abre espaço para personalizar os ataques. Os eleitores não vêem atores, vêem sujeitos individuais como grandes detentores do poder, em que o personalismo prevalece.''
Bueno ainda observou que a linha populista do ex-prefeito também implica na personificação da disputa. ''Londrina é um fenômeno atípico, que tem no caso do Belinati um dos últimos herdeiros do populismo de massa e isso é raro no Brasil. Do ponto de vista político é considerado um fenômeno eleitoral. O que pesa contra ele é o fato de ter diversas denúncias de corrupção no poder. Belinati é um herdeiro de (Getúlio) Vargas. Um candidato populista não é um político de direita, não é um político de esquerda, é um discurso personalista que se apresenta diretamente às massas'', analisou.
O horário eleitoral vai até o dia 29, e é veiculado diariamente em dois programas do rádio (das 7h às 7h20 e das 12h às 12h20) e na televisão (das 13h às 13h20 e das 20h30 às 20h50).

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